8 de março de 2018

O que aconteceu comigo em 2017

Sem título

Era janeiro e eu estava de volta ao bloco de comunicação social, na ufal, para a minha primeira aula do quarto semestre no curso de Jornalismo. Um semestre que eu esperava que fosse tão tranquilo quanto havia sido seu antecessor — mas não foi bem assim.



I never trust my feelings...



abr, 2015
universidade federal de alagoas

A história que eu vou contar não é bonita, emocionante, nem mostra uma superação incrível. A história que eu vou contar mostra a realidade — a realidade de muitas meninas e mulheres por aí, que você e eu podemos conhecer. Só que a protagonista dessa história, para a minha surpresa, fui eu. É muito fácil para todo mundo acreditar que a violência psicológica não existe, ou que é muito fácil dar um basta nela. Afinal, ninguém está realmente ferindo alguém, certo?

Errado. E eu posso afirmar isso através da dor da experiência que é viver algo assim.

Sempre fui uma garota de ficar mais na minha e ter poucas amigas. Na época do colégio, a Lisete e a Natália formavam o meu porto seguro e hoje eu já não consigo imaginar a minha vida sem elas. Aliás, elas, infelizmente, participaram diretamente desses acontecimentos difíceis. Quando eu vi que eles estavam atingindo pessoas tão importantes para mim, uma força que eu não sabia que tinha começou a se fazer presente e eu fiquei ainda mais determinada a fazer aquilo parar de uma vez por todas. O que eu aprendi com isso? Eu amo minhas amigas. E preciso aprender a me amar da mesma forma.

Então, dito isto, vamos lá: eu comecei a estudar comunicação social na ufal em março de 2015. No final de abril do mesmo ano, o meu pesadelo começou.

Em um resumo, um dos meus colegas de classe resolveu se aproximar de mim via whatsapp. E, logo depois, pessoalmente. Forçando situações em que pudéssemos conversar, situações as quais eram nada naturais — enquanto eu estava com minhas amigas na aula, enquanto eu estava fazendo algum trabalho com minha equipe, enquanto eu estava em qualquer lugar em que ele também estivesse. Quando me via largava quem quer que fosse e ia correndo atrás de mim. Sim, correndo. Literalmente.

Essas coisas, por mais que pareçam bobas, começaram a me assustar. Ao mesmo tempo, comecei a enfrentar algumas dificuldades com a faculdade, relacionadas ao meu rendimento e a minha frequência porque sempre fui muito tímida, mas a ufal estava me fazendo entrar em pânico. E essa situação, correndo por fora, definitivamente só piorou tudo. Aquilo precisava parar e eu decidi ser completamente sincera: falei como as ações dele estavam fazendo eu me sentir. Em troca, recebi o vitimismo. 




Frightened by my feelings




jan, 2016
universidade federal de alagoas

o segundo semestre veio e agora eu mal podia entrar na sala sem que uma cena acontecesse. mãos no rosto, folhas no rosto, cabeça abaixada... o que pudesse fazer para não me ver estava valendo. o engraçado era que em público o comportamento era esse, mas quando eu estava sozinha a história era diferente. meus pais passaram a ir me levar para a aula, e eu sempre forçava atrasos para chegar quando pudesse entrar na sala já com vários alunos. meus pais passaram a ir me buscar na aula, e chegavam sempre mais cedo para eu poder ir direto para casa quando largasse. minhas amigas passaram a sempre esperar por mim quando por algum motivo eles não conseguiam chegar cedo. e só depois elas iam para casa.

mas é claro que todo mundo tem a sua rotina — e ela não poderia girar em torno de mim. sendo assim, uma vez ou outra havia momentos em que eu estava sozinha, e agora eram nesses momentos que ele se aproximava. cheguei a forçar uma ligação para a minha mãe quando percebi a intenção de uma aproximação, para que ele visse que eu estava ocupada com alguém e me deixasse quieta. é necessário dizer que não funcionou? quando me dei conta, ele estava ali, parado na minha frente enquanto escutava a conversa e aguardava que ela terminasse. levantei sem pensar duas vezes e andei o mais rápido possível para longe dali, alegando que estava indo embora. sentada no sofá da biblioteca, eu tentava me recuperar da sensação de impotência que tomava conta de mim — eu tinha manchas vermelhas pelo corpo causadas pela raiva e pela tensão, e lágrimas teimavam em cair por mais que eu tentasse manter a calma.

novamente decidi dar um basta. conversei, e expus de uma forma mais dura o absurdo que era aquele comportamento. eu não aguentava mais me sentir tão constrangida e tão impotente. mas, de novo, ele: o vitimismo. fui bloqueada. logo, bloqueei de volta. não iria admitir mais nenhum tipo de contato com uma pessoa que vinha me causando tão mal e elevando a minha ansiedade a níveis preocupantes — especialmente porque, naquela época, eu não estava fazendo nenhum tipo de tratamento.

as crises de pânico vieram e com elas o desânimo também. eu não sentia a menor vontade de ir para as aulas, algo que para mim já era difícil sem essa situação. ele tentou falar comigo através de pelo menos uns dois números diferentes, sem sucesso. e então aconteceu: ele tentou me abordar no meio da sala, com professor e colegas presentes, minutos antes da aula começar. o motivo era o seguinte: uma carta de várias páginas manuscritas que ele precisava que eu recebesse.

me recusei. falei que ele sabia que estava passando dos limites. insistência, muita insistência. quando eu estava a ponto de perder completamente a paciência, minha amiga interferiu e mandou ele sair dali. incrivelmente, quando ela falou isso, ele saiu. de novo, a impotência.

mas ele não saiu de uma maneira silenciosa. claro que não.

a tempestade com que ele abriu e fechou a porta foi tão grande que quase atingiu uma colega que ia chegando, e isso assustou todos que estavam presentes. minhas colegas todas sabiam o motivo daquilo, e me perguntaram apenas para confirmar. e daí o trabalho foi para explicar ao professor e ao restante da turma o que tinha acontecido. e estava acontecendo. esse foi um dos momentos mais legais que vivi no cos, o prédio de comunicação social. foi um dos momentos mais legais porque eu me senti acolhida e protegida por colegas que não muito antes mal trocavam um olhar comigo. na segunda aula desse dia, eu comecei a chorar e já não sabia mais como lidar com a avalanche de sentimentos que tudo aquilo me causou.

as cenas continuaram até o fim daquele período e, no terceiro, ele mudou o horário das aulas. finalmente parecia que eu ia conseguir enfim ter um pouco de paz para focar apenas em mim e nos meus estudos. assim, o terceiro período passou sem maiores incidentes, e eu, inocente, me permiti ter esperanças.

mas vamos a 2017.




Holding down my feelings




jan, 2017
universidade federal de alagoas

quando eu estava terminando o meu terceiro semestre da faculdade, minha mãe conseguiu entrar para o curso de letras, iniciando no período seguinte. nem preciso mencionar aqui o quanto nós ficamos felizes mesmo sabendo que não seria fácil. a natália já estudava letras há um período e poderia servir como um apoio, sem falar que agora iríamos juntas para a ufal no período da tarde, o que ajudaria a economizar e, tecnicamente, na minha segurança. só que não foi bem assim. não foi porque mal o quarto semestre começou e eu comecei a encontrar meu colega com bastante frequência na fale, o bloco de letras da ufal.

como ele tinha passado a estudar no turno da noite, de primeira aquilo não fez sentido pra mim. mas logo depois cheguei à conclusão de que ele deveria fazer parte do ccc - casa de cultura no campus, que oferece aulas de inglês gratuitas para alunos da instituição, onde a minha amiga natália até hoje é professora. mas ela não era professora dele, pelo menos.

tudo começou a piorar porque os horários batiam exatamente com os meus e com os da minha mãe. não foi raro eu chegar na fale e encontrar mamãe possessa porque tinha encontrado com ele, ou porque o tinha visto lhe observando. ela pediu várias vezes que eu permitisse que ela fosse confrontá-lo, mas eu achei melhor evitar. eu tinha medo pela minha mãe também, é claro que tinha. e de jeito algum queria que ela chegasse perto daquela pessoa.

eu tinha a fale como uma espécie de refúgio. sempre que passava mal em alguma aula e não conseguia controlar alguma crise de choro, o que acontecia com certa frequência, eu corria pra lá e pro colo da nati sempre que possível. depois que minha mãe passou a ser aluna de lá, esse sentimento só ficou mais forte — mas agora estava tudo acabado. o sentimento de alívio que o lugar me passava passou a ser um sentimento de tensão e tudo isso veio como uma tempestade de volta para cima de mim.


8 mar, 2017
universidade federal de alagoas

era dia internacional da mulher e eu estava doente. cogitei me dar um presente e ficar em casa naquele dia, já que minha aula seria apenas às 17h e a da minha mãe às 13h30. seria muito tempo de espera para uma pessoa saudável, imagine para alguém doente, mas um espírito estudioso tomou conta de mim e eu decidi ir mesmo assim. quem dera não tivesse tomado essa decisão.

fui com mamãe tirar umas cópias que ela precisava, em um prédio ali ao lado. quando entrei com ela, estava distraída conversando até que ouvi um grito. levantei a vista a tempo de ver alguém correr e entrar em uma das salas de aula que estavam vazias naquele horário. e imediatamente soube de quem havia sido o grito. fiquei nervosa. inquieta. constrangida. vários colegas de classe da minha mãe estavam por perto. fiquei literalmente sem saber o que fazer, mas tentei respirar fundo enquanto mamãe fazia o que precisava e ele continuava escondido. logo depois decidir ir embora com ela, porque eu não aguentaria outro escândalo daqueles.

assim, enquanto lemos um relato desses, pode parecer uma bobagem e um exagero. mas não é. você ouvir uma pessoa gritar desesperada em um lugar público por você simplesmente estar ali é doentio. é assustador. é se sentir a pior pessoa do mundo mesmo com a clareza de que nada daquilo é culpa sua. eu sabia que não era minha culpa e eu me sentia culpada mesmo assim quando esse tipo de coisa acontecia. é sentir culpa e raiva e impotência — tudo ao mesmo tempo.

voltei pra casa e fiz o possível pra relaxar. vi futebol. conversei com pessoas especiais para mim. e fiquei bem. apesar de tudo, havia sido um bom dia. só que ele não havia acabado.

sempre dormi muito tarde. muita gente sabe disso, inclusive ele sabia, graças a época em que passava horas e horas puxando assuntos para tentar conversar comigo. naquele dia, estava entretida com o notebook fazendo as coisas que eu amo fazer quando finalmente lembrei de dar uma olhada no celular. não havia nenhuma notificação aparente, mas desbloqueei e fui olhar mesmo assim. achei uma notificação escondida do telegram, o que me fez estranhar e abrir na mesma hora, já que era um aplicativo que eu não usava mais fazia algum tempo. era uma mensagem dele, mas não uma mensagem qualquer.

a primeira coisa que notei foi a hora. logo chequei o relógio — já passava de 1h da manhã, e o texto tinha sido enviado mais de uma hora antes. a segunda coisa que eu notei foi o tamanho. eram quatro parágrafos enormes, com direito a poesia no fim e tudo. mas nada daquilo fazia sentido e eu fiquei tão nervosa que fechei tudo para tentar organizar meus pensamentos. respirei fundo, tentei me acalmar e abri novamente. ele mandava por um número diferente do que eu sabia, mais uma estratégia para conseguir entrar em contato comigo. comecei a ler o texto fora da ordem cronológica — uma mania que tenho na vida e que sempre prejudica a minha concentração. mas isso foi crucial para que eu não demorasse muito a perceber que o que eu tinha em mãos era um bilhete suicida.

não importa o quanto eu tente, palavras jamais serão suficientes para que eu consiga explicar o que senti no momento. eu fiquei desesperada, angustiada, completamente perdida. eu poderia dizer que entrei em choque, porque, de início, tive absolutamente nenhuma reação. passou tudo e nada pela minha cabeça: raiva, culpa, preocupação e raiva novamente. eu não sabia o que fazer, então meu corpo começou a reagir por mim. eu chorei — eu chorei muito. meu cérebro rapidamente fez as contas e se ele realmente estivesse disposto a fazer algo, àquela altura já teria feito. fiquei tão desnorteada que, quando já passava das 2h, eu acordei minha mãe. já tinha mandado mensagens pra dois amigos, mesmo sabendo que eles estariam dormindo. só que eu precisava falar com alguém.

minha mãe ficou brava. com ele. porque aquilo era tão absurdo de se fazer com alguém que nós duas simplesmente não conseguíamos expressar uma pra outra o que estávamos sentindo. o amparo da minha mãe foi a coisa mais importante pra mim naquele momento e quando eu finalmente consegui me acalmar mais, levantei da cama para ir ao banheiro e foi aí que eu realmente percebi o quanto meu corpo reagiu ao meu desespero. sangue. tinha sangue no lençol no colchão e na minha roupa. e não era pouco. eu estava no final do meu ciclo e eu nunca — nunca — tinha visto aquela quantidade de sangue saindo de mim.

meu organismo ficou tão desequilibrado quanto as palavras que eu havia acabado de ler. a mensagem não era uma simples despedida: as palavras eram cruéis. aquele texto foi feito para eu me sentir mal. para eu sentir culpa, apesar de ele frisar ali que não era nada disso. como não era? em um dos trechos, ele fez questão de destacar o quanto já tinha ouvido falarem mal de mim pelas costas. o quanto já tinha ouvido de colegas minhas como eu era uma idiota, imatura e mal amada. para uma pessoa com a autoestima baixa, isso é o mesmo que vários socos no estômago, porque eu realmente percebia que me tratavam um pouco diferente. ele também destacou que, ao contrário delas, sempre teve uma visão positiva de mim e preferia seguir acreditando que o meu coração era bom. tão legal ele, não é? e eu cometendo aquelas injustiças!

no fim das contas, ele continuou muito vivo. um colega, que se tornou meu amigo, entrou em contato e ele alegou ter, sim, atentado contra a própria vida, mas não teve sucesso. dos males, o menor. eu acho que poucas vezes na vida senti tanto alívio. eu cheguei a me perguntar se aquela tinha sido mesmo a intenção ou se tudo aquilo havia sido uma atitude desonesta para me fazer ir atrás dele. até hoje eu não sei. e tento não pensar mais no assunto. nem no presente que recebi no dia internacional da mulher de dois mil e dezessete.


abril, 2017
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era final de abril e eu havia acabado de entrar no restaurante universitário com dois amigos, sendo um deles também um colega de classe, aquele que me ajudou depois do bilhete suicida. eles seguiram para a fila e eu fui buscar um lugar para sentar. estava completamente relaxada e bem, apenas matando um tempo enquanto minha mãe não largava. só que essa tranquilidade logo se transformou em tensão. mais uma vez.

não demorou muito tempo para o meu colega sair da fila e vir até o lugar que eu tinha escolhido. o motivo? ele, (sim, ele) estava lá. e estava bem perto de mim. minha postura mudou imediatamente e nós dois fomos buscar uma mesa do lado oposto do restaurante, um lugar de onde eu poderia observar melhor o ambiente e também os meus amigos na fila. um, dois minutos. e então ele apareceu.

ele não seguiu para onde eu estava. ele sabia que seria um erro. então ele foi direto para onde os meninos estavam — e começou a gesticular e a gritar e a fazer uma cena. eu fiquei nervosa e inquieta porque eu não conseguia entender nada do que eles diziam, mesmo sabendo que não era nada bom. eu não podia me aproximar, porque sabia que seria pior. e eu não podia ir embora. fiquei plantada onde estava assistindo aquela cena acontecer.

lembrando agora, parece uma eternidade. porque foi mesmo — para mim e para eles, eu tenho certeza que foi. as pessoas olham. coisas assim acontecem diariamente, mas parece que nunca conosco. achar isso é sempre o nosso erro. eu estava cada vez mais apavorada com a iminência daquilo se tornar uma briga física, e minha ansiedade, ao invés de fazer eu me mexer, me congelou onde estava. eu não podia acreditar que aquilo estava acontecendo comigo. mas estava.

a discussão era voltada para o meu colega, que havia sido amigo dele em outros tempos, mas que agora já não concordava com as suas atitudes. e isso me assustou. meu outro amigo conseguiu fazer com que ele parasse com aquilo a tempo, e foi com ele em direção a saída. e quando meu colega veio falar comigo, eu finalmente pude saber o que tinha se passado. ciúmes. ele estava absolutamente descontrolado de ciúmes. as pessoas fazem coisas absurdas por ciúmes.

quando estávamos de volta só os três, fomos embora imediatamente. eu já tinha falado com minha mãe e ela estava me esperando no estacionamento da fale — para onde os meninos foram me levar. porque agora eu precisava de babás para todo lugar que ia. eles nem sequer comeram, pegaram o lanche para comer depois. um dia em que estava tudo bem havia se transformado em um estresse imenso. mais. uma. vez.

eu já não aguentava mais aquilo. e então aconteceu.


maio, 2017
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eu estava saindo do cos quando recebi mais uma mensagem do meu amigo. eu tinha acabado de sair de uma prova de reavaliação e estava com aquele sentimento bom de alívio, até ele dizer que tinha sido procurado para receber uma carta. a carta dessa vez era para ele, não para mim. uma possível consequência daquele dia no RU, algumas semanas antes. ele concordou em receber e logo descobriu que na verdade, sim, havia também uma para mim. estratégias para entrar em contato comigo — sabem como é.

fui à ufal no dia seguinte junto com minha irmã apenas para recebê-la. dessa vez eu quis tê-la em mãos. não de início. a minha primeira reação foi não querer saber. eu não queria absolutamente nada que viesse daquela pessoa, eu não queria ler nem mais uma palavra dele. mas então a jess, minha irmã, resolveu que queria sim ler e que nós iríamos buscar. então assim fizemos.

eu li as duas cartas. a carta para o meu amigo estava carregada de um ódio doentio e de ameaças veladas. era uma coisa absurda, porque ele falava as coisas e depois tentava amenizar, disfarçar, acalmar. mordendo e assoprando. a minha não. a minha era carregada do drama e do vitimismo de sempre. eu fui obrigada a ler que a culpa de tudo aquilo estar acontecendo era minha, porque eu recusei aquela primeira carta que ele quis me entregar. essa minha atitude, em palavras dele, o destruiu. e agora ele fazia de tudo para eu ler, para impor a vontade dele diante da minha. uma prova disso é que nessa nova carta havia inúmeras citações da antiga, a que eu recusei. aliás — essa nova carta mais parecia um trabalho acadêmico, com citações, regras da abnt aplicadas e mais um pouco. absolutamente doentio. assustador.

essa nova carta foi o começo do fim. em mais de um aspecto.

ao lê-la, eu e minha irmã identificamos muitas ameaças. meu sobrenome é muito característico, macieira não é um nome que se encontre com frequência por aí. e na carta ele dizia que estava até mesmo com uma aversão a maçãs e que, quando via a fruta, sentia vontade de atirar contra a parede. o equilíbrio da pessoa. ele estava nulo.

lá também dizia que aquela situação fazia todos perderem. que nós não nos falarmos era algo ruim e que aquele clima pesado permanecendo por mais tempo iria levar a consequências ainda piores. jess sublinhou todas essas ameaças, e no dia seguinte nós estávamos na delegacia. eu precisava de paz. eu precisava que aquilo parasse. meu corpo e minha mente estavam dando sinais — e eu precisava ouvir.

fiz todos os procedimentos, e uma das minhas amigas testemunhou para mim, mesmo com medo. eu até hoje não sei como agradecer por isso. o processo seguiu, bem lento. eles não tinham nenhum dado dele além do nome que eu forneci, e a universidade precisava entrar em cena. o que demorou meses.

as férias chegaram e eu me permiti ter um pouco de esperança de tudo aquilo passar. mas então a lis entrou em contato comigo: estava nervosa, tremendo, precisou beber uma água. ele tinha entrado em contato com ela. e aí eu fiquei completamente fora de mim. se ele já havia passado dos limites antes, agora não tinha nem conversa. eu havia relutado em ir na delegacia pela primeira vez, mas agora iria quantas vezes fossem necessárias.

ele não sabia se eu tinha recebido aquela nova carta, então procurou na internet pela amiga que ele sabia que escrevia um blog comigo. enviou um anexo para ela. implorou por ajuda. contou a história na versão dele. demonizou meu amigo. disse que ele era o culpado por ele tentar se matar. tudo isso em cima da minha amiga. nós conversamos e chegamos no acordo de que ela não iria responder. nem mesmo ele saberia se ela viu ou não. isso o inibiria. foi o que pensamos.


ago, 2017
universidade federal de alagoas

o quinto semestre começou e, sem nenhuma resposta por parte da lis, ele tomou medidas ainda mais desesperadas. descobriu o curso dela, descobriu que uma menina que tinha estudado com ele no inglês era da sala dela e foi atrás. sim. ele foi atrás de uma colega de classe da minha melhor amiga para pedir o número dela do whatsapp. diante de uma negativa, na semana seguinte ele surgiu com um novo método: escreveu à mão tudo o que ele tinha antes digitado e mandado no privado do facebook da lis, além de ter impresso uma outra cópia daquela nova carta para mim. para se certificar de que ela leria tudo o que ele queria que ela lesse. para impor a vontade dele diante da dela. sem sucesso. a menina entregou a encomenda para a lis, completamente constrangida. e ele cobrou resposta para ela, o que fez a lis responder algo apenas para ele parar de perturbar a sua colega. todo mundo tinha que fazer o que ele queria e seguir o roteiro dele.

mas a resposta da lis não foi a que ele queria. ela disse que ele jamais conseguiria algo dela e que todas as minhas amigas iriam me proteger. mandou ele se afastar.

ele não se afastou. ele foi em busca de outra amiga. lembram da natália? pois é. nesse infeliz semestre, ela era a professora dele de inglês. e ele sabia que éramos amigas. procurou ela no início da aula e tentou começar o assunto — e foi cortado imediatamente. recebi áudios da minha amiga naquele dia mais tarde, completamente brava por ele ter tido aquela audácia. ela deu aula sentindo o corpo tremer de raiva. ele estava fazendo aquilo com as minhas amigas, que sempre me ajudaram e que sempre estiveram ali por mim. aquilo definitivamente não podia continuar. procurei ajuda na pró reitoria da universidade, e só o que puderam me oferecer foi acompanhamento psicológico. procurei ajuda com o coordenador do meu curso, que deu pouco ou nenhum valor para a situação e ainda me falou para "deixar ele para lá, não dar atenção". como se eu nunca tivesse pensado naquilo antes. e nada da polícia dar resposta.

eu vi uma lixeira ser esmurrada em um dia que encontrei com ele por acaso. ele gritou, correu e esmurrou uma lixeira. por ter me visto. eu não me permiti ficar assustada, porque minha mãe e minha irmã estavam bem ali já me esperando. eu apenas entrei no carro e fui embora.

uma semana depois, mais uma lixeira se foi. ele estava depredando o patrimônio da universidade. apenas por me ver. e apesar do que todos achavam, que ele me via como alguém que tinha a aura de um anjo e que jamais seria capaz de me machucar fisicamente, foi inevitável para mim pensar em quanto tempo levaria para que as lixeiras dessem lugar ao meu rosto. a partir daí, sem a minha família por perto para fazer eu me sentir segura, eu me permiti assustar. no dia do falecimento da segunda lixeira, eu estava na fale com a layla, uma das minhas amigas da ufal, e com meus dois amigos. mais uma cena, mais uma crise. ele fez uma pessoa vir até nós perguntar quem era a jennifer, porque ele precisava falar comigo. de forma alguma eu me aproximaria dele e fui embora na primeira oportunidade.

mais tarde eu fiquei sabendo pela natália: ele tentou se matar. mais uma vez. ali mesmo. ele chamava pelo meu sobrenome enquanto algumas pessoas o socorriam — pessoas que eram ex-colegas da minha mãe. que sabiam quem eu era. sim, ex-colegas. minha mãe desistiu de estudar para me manter longe da fale, e ninguém conseguiu fazê-la mudar de ideia.

na semana seguinte, nós quatro estávamos no cos. eu, minha amiga e meus amigos. uma colega nossa se aproxima e diz que quer conversar comigo. já imaginei qual seria o assunto, e não deu outra: ele a tinha procurado na noite anterior para pedir ajuda. para que ela falasse comigo para retirar a queixa, porque ele finalmente havia sido intimado para depor. ela recusou e veio me alertar. mostrou coisas absurdas que ele falou. coisas que me assustaram ainda mais. se é que isso era possível. apesar de tudo, todos nós ficamos felizes. aquilo era sinal de que a polícia finalmente havia começado a agir. e assim eu e a layla fomos para a aula.

nós estávamos na metade do caminho quando os meninos nos alcançam correndo.

ele estava ligando para um deles, o nosso colega. depois de um desencontro de opiniões quanto a atender ou não (eu, contra. eles, a favor), ele atendeu. e as notícias não foram boas.

ele estava ali, e ele queria que nós, eu e meu colega, fôssemos até onde ele estava. ele estava irredutível e quando meu colega disse que não estava no cos, ele entregou: sabia que sim. tanto ele como eu estávamos ali. então nos demos conta: ele estava nos vendo. dei alguns passos para trás e olhei pela porta. ele estava ali, do outro lado, perto de uma árvore. nos encarando.

aquilo se transformou em um rebuliço. mais pessoas ficaram sabendo. minha colega, com quem ele tinha falado na noite anterior e para quem ele ligou em seguida, o fez ir embora. depois de muito insistir. não permitiu que ele se aproximasse de mim. e ao ver quantas pessoas estavam ali comigo, ele finalmente desistiu. mas todos nós já estávamos com o nível de estresse passando dos limites.

para falar a verdade, eu não me lembro muito desse dia. apenas lembro de chorar na sala. de receber abraços que confortaram. de dizer para o professor o motivo de eu precisar ir embora. e eu fui embora. a layla foi para a minha casa e ficou lá comigo. passamos a noite conversando e falando sobre a vida, em como ela é imprevisível e cruel quando quer. e no dia seguinte seguimos para a delegacia. ele não iria mais conseguir me calar com ameaças.


fev, 2018
8º juizado especial cível e criminal, ufal

a audiência ocorreu em fevereiro, uma semana depois do dia em que completei vinte e um anos. e seis meses depois dos piores acontecimentos da minha vida, meses nos quais eu tive que viver com a palavra do pai dele de que ele jamais voltaria a me importunar e que iria buscar um tratamento. não foram meses bons.

eu fiz questão que a minha defesa fosse feita por uma mulher. não por menosprezar o trabalho de um homem, mas por ter a certeza de que ninguém pode imaginar o que é passar por uma situação dessas a não ser outra mulher. ela lidou absurdamente bem com o caso. e comigo. não foi só minha advogada, mas também uma psicóloga e uma amiga para mim. fiz algumas escolhas ruins na vida — mas também fiz outras fantásticas.

ele não pode mais se aproximar de mim, da minha família nem dos meus amigos. não pode falar de mim na internet ou através de qualquer meio. não pode mencionar o meu blog — esse blog — em nenhuma de suas redes sociais, como já havia feito antes. eu espero, de verdade, ter conseguido a minha paz. era só isso que eu queria. é só isso que eu quero.




Explaining what I feel, that empty feeling




Todos esses acontecimentos, ao longo de três anos, mexeram muito comigo e hoje eu não me considero uma garota psicologicamente saudável. Sei que ainda tenho muito o que caminhar, mas é desgastante e a cada nova crise bate uma desesperança de que um dia eu volte a ficar bem. Nem tudo foi consequência dessa violência, porque mesmo antes eu já enfrentavas algumas dificuldades, mesmo que mais brandas do que hoje em dia, mas com certeza passar por isso piorou a minha qualidade de vida em 500%.

Sair de casa é difícil, cuidar de mim mesma é difícil e encontrar ânimo para seguir uma rotina é difícil. Já tive dias de não querer levantar. A ideia de entrar em contato constante com pessoas e de me sentir exposta a elas estava insuportável, me desesperava (e em algumas ocasiões ainda desespera). Como eu pretendia seguir como uma estudante de comunicação dessa forma? Como se nada estivesse acontecendo? Eu não podia. Então eu decidi abandonar o curso.

Tranquei a matrícula como uma medida temporária, mas a verdade é que eu não pretendo voltar — pelo menos não para comunicação. Estou, aos poucos, refazendo planos e considerando novas possibilidades para a minha vida. Eu preciso de um novo começo. Quando penso em retrospectiva, tento encontrar uma justificativa para ter escolhido estudar Jornalismo lá em 2015, mesmo tendo passado a vida escolar inteira sendo mais das exatas. E jamais encontrei uma resposta. Já cheguei a pensar que eu apenas tinha que passar por isso, para aprender algumas coisas e amadurecer, mas logo refutei a ideia. Nenhuma mulher precisa passar por uma situação de violência para atingir o seu crescimento pessoal.

Passar por isso não me fez mais forte. Não me tornou uma pessoa melhor. Passar por isso apenas me fez ser mais uma vítima em meio a tantas. Mais um caso em uma delegacia. E nada além.

Apesar de tudo, não me arrependo das escolhas que fiz. Conheci duas mulheres incríveis a quem posso chamar de amigas. Elas fizeram esses anos terem valido a pena e sempre foram um porto seguro em um ambiente que me era tão hostil. Layla e Laize, obrigada pelo companheirismo e pela força. Vocês são imensamente importantes para mim. Enquanto nós conseguirmos tirar sentimentos bons, nada jamais será uma perda de tempo.

Estou escrevendo isso duas semanas após ter ido à secretaria do curso solicitar o trancamento da matrícula. Em alguns momentos é preciso parar e refletir se o que estamos fazendo tem algum sentido e se está nos fazendo bem — e tudo bem se concluirmos que não.

Desistir nem sempre significa fracassar. Muitas vezes, na verdade, desistir significa ter coragem.




Don't back down, concentrate on seeing



Não pretendo permitir que tudo isso tire o brilho que eu sempre enxerguei na vida. Sempre soube que quero mais, que a vida deve ser mais do que obrigações, medos, inseguranças e fórmulas prontas. Apesar de estar muito difícil, eu sei que tenho a imensa sorte de ter pessoas maravilhosas ao meu lado e amigas que estão ali por mim – Lily, Nati, Barbie e Aninha, obrigada por serem vocês e por sempre me ajudarem tanto. Eu sei que vou conseguir superar tudo isso – mesmo que agora pareça impossível.

Apenas o fato de conseguir escrever sobre isso e deixar público para quem quiser ver – mesmo que quase ninguém vá ver – já é algo a considerar. Sou do tipo de pessoa que prefere compartilhar coisas boas, porque todos nós já sabemos o que carregamos de ruim. Em parte me entristece publicar um texto com esse teor no lugar que eu mais amo na internet – o lugar que eu construí com tanto carinho junto com a Lily, e mesmo essa decisão não foi fácil.

Demorei algum tempo para decidir realmente tornar público o meu relato. Não queria fazer dele — do cara que me fez mal — um protagonista no meu lugar na internet. Demorei, mas enfim percebi que publicar esse texto não significa nada parecido. Significa que eu consegui ser forte o suficiente para expor uma situação delicada, corriqueira e que muitas vezes é menosprezada mundo afora. Significa que eu estou impondo a minha voz e falando sobre mim. Sobre os meus sentimentos. sobre o meu crescimento e sobre o quanto eu consegui amadurecer e retirar o máximo possível de coisas boas diante de uma situação péssima. Eu tenho pessoas — mulheres — maravilhosas na minha vida. Publicar esse texto significa que a força de todas elas juntas, ao meu lado, me deixou mais forte. Algumas coisas simplesmente precisam ser ditas. Essa é uma delas.

Ainda tenho pesadelos a respeito de tudo o que aconteceu. Ainda acordo com uma sensação ruim de que esse pânico e essa tensão nunca vão passar. De que eu não vou conseguir esquecer. Mas eu vou. Eu ainda tomo remédios para a ansiedade social, para amenizar o meu medo e para voltar a levar uma vida normal. para melhorar a qualidade da minha vida, que há muito tempo era praticamente nula. E tudo bem. Está perfeitamente bem precisar de ajuda. Alguns fardos nós não precisamos carregar sozinhas.

Se você leu até aqui, obrigada. Todos esses fatos agora fazem parte da minha história. Mas eles, definitivamente, não a definem.

O assédio moral e a violência psicológica contra mulheres existem. Eles estão bem ali, onde quase ninguém vê — e podem causar danos irreversíveis. Se você passa por isso, por favor, fale. Nós temos voz. Você tem voz.

E ela merece ser ouvida.

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The past is still the past, the bridge to nowhere...



*os trechos ao longo do post foram retirados da música Should Have Known Better, do Sufjan Stevens. Ela é maravilhosa. 
*o poema faz parte do livro Tudo nela brilha e queima, da Ryane Leão. Também é maravilhoso. 


Escrito por: Jennifer Macieira


 

10 comentários:

  1. Texto maravilhoso. Força prima! Não devemos nos calar, nunca. E tudo voltará ao normal, Deus te colocará no colo e você vai continuar seguindo com força!
    Beijos!
    Lethicia Almeida

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    1. Obrigada pela força e também pela sua ajuda, prima! Amém!! Serei sempre muito grata. Beijo! ♥

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  2. Apenas uma adição que precisa ser feita: O rapaz que lhe perseguiu possui AUTISMO, uma condição psicológica que prejudica toda sua interação social, então nada do que ele te fez foi por querer atrapalhar sua autoestima ou seu comportamento na faculdade. Toda a perseguição não foi de cunho pessoal, ele realmente o fez inconscientemente do ato e da consequência. Ele tem problemas sérios que precisam ser tratados. Não estou dizendo que a culpa é sua, mas também não é dele. Todas as crises que ele tem não são ceninhas ou atuação para chamar a atenção, e sim um clímax do distúrbio que ele possui, pois eu já presenciei isso da parte dele. Você não levou esse problema dele em consideração, levou?

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    1. Em primeiro lugar, se você vem ao meu blog fazer uma "adição", como diz, em um texto meu de cunho pessoal, o mínimo que se espera é que se identifique. Em segundo lugar, tenho uma irmã educadora física que lidou diretamente com a condição psicológica mencionada durante a sua graduação. Então, acredite que tanto eu quanto minha família temos noção do que se trata e conhecemos os pormenores, o que definitivamente não justifica as ações que foram relatadas por mim. Eu sempre soube que o que ele fazia era condicionado por um quadro psicológico grave, isto é claro para qualquer pessoa, e inclusive foi o que me levou a aguentar essa situação por 3 anos sem ir à polícia. E também é claro para qualquer pessoa que essa atitude deveria ter sido tomada muito antes, dada a gravidade das ações da pessoa a quem defende. O que ele fez foi grave. Afetou e ainda afeta a minha vida e a da minha família. Então independentemente de qualquer coisa, eu devo colocar A MIM em primeiro lugar. Peço, por gentileza, que não venha aqui tirar conclusões equivocadas a respeito do meu caráter e da minha vida. Afinal, quem viveu o terror fui eu, não você, seja quem for.

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  3. Você parou pra pensar que ele poderia estar sofrendo? Alguém em sã consciência não gritaria no corredor e se esconderia, como mencionou no post. Acho que faltou foi diálogo! Para que você mostrasse o que estava sentindo, e ele também mostrasse o que sentia. Eu acredito em abuso psicológico sim! Mas também acredito em grandes mal entendidos! Pelo que você escreveu, nenhum dos dois estavam confortáveis com a situação. Talvez ele também era tímido, e queria se aproximar de você por te achar incrível, ou talvez sempre quis falar uma mesma coisa, mas não sabia se expressar, aliás, sei como é isso porque já passei por situações constrangedoras ao tentar falar algo e não saber reagir. Talvez tudo formou duas grandes bolas de neve, uma para você, e uma para ele, ao ponto dele te mandar um "bilhete suicida". Entendo a sua dor (não completamente, porque só sabe de verdade quem passa por isso), mas sempre deve ser olhado os dois lados, e, deduzi através do post que, o que "violentou" os dois foi a falta de diálogo verdadeiro!

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    1. Olha, se realmente leu o post, você viu que tentei conversar com ele DUAS vezes e falei como estava me sentindo. Ele não recebeu bem nenhuma dessas duas tentativas. Acredite quando eu digo que sim, levei os sentimentos dele em consideração inúmeras vezes. Mas, repito: eu devo me colocar sempre em primeiro lugar. Não aprovarei ou responderei mais a nenhum comentário em anonimato. Para mim esse assunto encerra aqui.

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  4. Amiga, não importa quantas vezes eu leia esse texto, sempre vou me emocionar com sua força e coragem. O tanto que você lutou e ainda luta para algo que deveria ser seu por natureza – tranquilidade. Você está completamente certa falando que nenhuma mulher precisa passar por uma situação de violência para atingir seu crescimento pessoal. É justamente por isso que foi tão importante você conseguir publicar essa história. Para alcançar o maior número de pessoas possíveis, para que elas se identifiquem e entendam o quão desnorteador uma situação como essa pode ser, mas que isso não é normal e que não podemos aceitar viver num mundo que trate essa questão como se fosse. Acompanhar tudo de perto e relembrar esses momentos aqui foi muito angustiante, mais do que eu consigo expressar, porque eu nunca estarei completamente bem enquanto você não estiver. Do mesmo jeito que ver você dar um basta nessa situação e tomar decisões que podem transformar sua vida para melhor foi um alívio enorme. ♥ Tudo isso que eu escrevo agora, você já deve saber de cor, só queria registrar mesmo uma última vez o quanto essa história foi um detalhe desafortunado na sua vida antes de deixá-la para trás de uma vez e dar espaço a momentos mais felizes. Afinal, after the rain comes sun. Te amo, te amo, te amo.

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    1. Eu nem tenho o que dizer depois de um texto lindo desses, Lily. Acho que você também já sabe de cor tudo o que vou escrever agora, mas aí vai: se eu tive a força e a coragem necessárias para expor tudo isso, para me impor, para tomar decisões tão sérias e importantes na minha vida, eu tive porque você esteve comigo em todos os momentos. Eu sabia que sempre que precisasse colocar pra fora as inquietações da minha cabecinha, eu teria a sua cabecinha ali, para me escutar e me acolher. Me parte o coração saber o quanto você também sofreu com isso, e se eu pudesse retirar da sua lembrança cada momentinho de angustia eu certamente o faria sem nem pensar duas vezes. Mas eu também sei que os nossos momentos bonitos, se não mais frequentes, com certeza são maiores. E, no final das contas, são deles que sempre nos lembramos com carinho e os que primeiro vem à mente ao pensar na nossa amizade. Yeah, after the rain comes sun. E vamos brilhar juntas. Te amo, te amo, te amo.

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  5. Jennifer, após ler seu relato e os comentários aqui embaixo, acho que nao resta nada a mim dizer pois vejo que você é uma pessoa muito bem esclarecida e está dando super passos para superar esse abuso. Eu desejo a você que todos esses sentimentos ruins dentro de você passem logo, e que você possa viver em paz e tranquilidade. As vezes é necessário tirar tudo de dentro da gente para poder começar de novo.
    Você é muito corajosa! E devo dizer que muito paciente também. Eu sou extremamente impaciente e quando penso, se isso acontecesse comigo, eu ia chutar o pau da barraca logo da primeira vez xD hehe
    Brincadeiras a parte, se cuide muito, se rodeie de pessoas que te amam e continue escrevendo conteúdos maravilhosos para esse blog.
    Um super abraço! <3

    Ana

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    1. Ana, antes de tudo, obrigada por tirar um tempinho para expressar palavras tão carinhosas. ♥ Esses pequenos gestos na verdade são gigantes, e também me faz ver que você é uma pessoa extremamente gentil e empática. Concordo bastante quando diz que às vezes é necessário tirar tudo de dentro de nós pra podermos recomeçar. São novas perspectivas, novas energias, e isso é tão importante... Apesar de compreender o valor das atitudes que tomei, ainda não me sinto corajosa depois de tudo, mas também compreendo que esse é um caminho que ainda estou trilhando. Um dia espero conseguir ser mais suave comigo mesma. E eu também não me acho paciente! Mas dessa vez é porque eu não sou mesmo, hahaha. Nessa situação o medo falava mais alto, mas depois radicalizei mesmo.
      Mais uma vez, muito muito muito obrigada pelas palavras, e tudo de mais lindo pra você! Beijos! <3

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