14 de fevereiro de 2018

Recife: a capital do frevo

Recife • 2018

Sabem aquela cidade que você vai tantas vezes que acaba não a enxergando como um destino de viagem? Mesmo que ela tenha um cantinho especial no seu coração? Esse sempre foi o meu caso com Recife

Localizada há apenas três horas de Maceió, é certo que vou para a capital de Pernambuco ao menos uma vez por ano para visitar meu primo que mora lá. Algo que tinha tudo para ser incrível, mas que eu nunca soube aproveitar muito bem, porque minha família criou uma rotina ao longo do tempo de ficar apenas na casa dele e de ir nos mesmos lugares. 

Recife • 2018

Há algumas semanas atrás, precisamos ir até lá, só que fomos com um espírito diferente e é por isso que resolvi escrever esse post e publicá-lo em pleno fim de carnaval, um período tão simbólico para a cidade.

Meu irmão nos acompanhou, alguém com quem sempre posso contar para algumas aventuras, e juntos nós convencemos o pessoal a explorar um pouquinho melhor as redondezas, a começar pela área do Recife Antigo, uma zona histórica cheia de cores e energias positivas, motivo de eu gostar tanto dessa terrinha.

Sempre que visito essa parte de Recife, tenho recordações de grupos de música ou de dança se apresentando no Marco Zero, sem falar nos vários cantinhos de cultura acessíveis. Imaginem, então, na época de carnaval, quando tudo isso se intensifica, tornando a identidade deles ainda mais visível e especial.

Recife • 2018

Eu nunca fui de gostar de carnaval até passar um deles em Recife/Olinda. Ainda hoje prefiro descansar e ficar em casa, mas lá foi que eu percebi que há certa magia nessa festividade, para além do que todos veem quando pensam no carnaval. É como se a verdadeira essência do frevo e de tantos outros ritmos típicos dessa época do ano só fossem celebrados devidamente ali.

Isso é algo que eles levam a sério durante todos os outros meses, não é toa que o Recife Antigo está cheio de cantinhos que celebram essa cultura tão forte e tão bonita. As pessoas realmente valorizam esses espaços e o orgulho que eles sentem transcende para qualquer turista que esteja visitando a região. 

Paço do frevo, Recife • 2018

O Paço do Frevo é um deles. Com uma estrutura belíssima, por dentro e por fora, esse foi o lugar  que conquistou meu coração nessa última viagem, porque foi uma novidade muito bem vinda à nossa programação de sempre. 

Descobrimos que às terças sua entrada é gratuita, então voltamos para o Recife Antigo nesse dia - mesmo tendo passado o domingo inteiro vagando por lá - com o objetivo de economizar. Estávamos bem cansados e viajaríamos algumas horas depois, mas saímos todos muito felizes e satisfeitos por termos dedicado nosso tempo a visitar esse lugarzinho mágico.

Paço do frevo, Recife • 2018

Para começar, damos de cara com o café mais fofo do mundo na entrada no museu: o Café Malakoff. O vermelho das paredes e o verde das janelas me lembraram de alguma forma o folder do filme O fabuloso destino de Amélie Poulain e eu fiquei levemente encantada desde o princípio. As luzinhas penduradas pelo local e alguns nomes de personalidades importantes para a história do frevo dão um charme a mais para o ambiente. 

Minha família já foi logo passando as catracas para o que seria o início das exposições, enquanto eu ainda encarava os detalhes desse café maravilhoso.

Paço do frevo, Recife • 2018

Quando me rendi, percebi que as exposições do térreo contavam com informações para se ler durante toda uma vida, sobre a história do frevo e das pessoas que contribuíram para ele ser o que é hoje, com passagens marcantes e acontecimentos históricos divididos por anos, dispostos para você folhear o que achar mais interessante. 

Recife • 2018

O funcionário responsável nos deu a dica de buscar anos especiais para nós, atrás de algumas curiosidades, já que era humanamente impossível ler tudo em um dia, e foi o que nós fizemos. O mais legal era dar uma olhada num livro maior, bem no centro da sala, porque ele tocava uma marchinha diferente a cada página virada.

Recife • 2018

As paredes de cada salinha também ajudam a criar um efeito super legal, porque elas são uma exposição à parte e tudo que está exposto no Paço do Frevo conta com uma versão em inglês, o que o torna um lugar acessível para estrangeiros.

Recife • 2018

Mas meu ambiente preferido mesmo está no último andar. Ele expõe as melhores marchinhas de carnaval desenhadas em janelas de vidro que dão para vistas lindas e diferenciadas da cidade, além de outras informações sobre bloquinhos e sobre o frevo em si por todas as partes, desde o chão, até as paredes e o teto. 

A gente fica até meio perdido no meio de tanta lindeza para olhar.

Paço do frevo, Recife • 2018 Paço do frevo, Recife • 2018

Quem não é da região pode ser bastante distraído ainda pelas diversas palavras e expressões próprias que estão dispostas em plaquinhas, junto de seus respectivos significados.

Recife • 2018

Por isso que o Paço do Frevo facilmente tornou-se um favorito.

Nós ainda chegamos a entrar na Embaixada de Pernambuco, onde ficam mais de sessenta bonecos gigantes de personalidades famosas no Brasil e no mundo - os famosos bonecos de Olinda. Mas a entrada para os dois museus espalhados no Recife Antigo nos custaria R$25,00 por pessoa, um preço o qual, infelizmente, não estávamos dispostos a pagar.

Recife • 2018

Ainda assim, fiquei com um gostinho bem mais doce ao visitar Recife dessa vez. Me apaixonei pela sua cultura uma vez mais e fiquei ansiosa para voltar e conhecer mais lugares incríveis, como o Cais do Sertão, um museu que exalta a cultura nordestina como um todo e seus ritmos, como o forró pé de serra, o xaxado, o baião, etc. 

Ele também fica localizado no Recife Antigo e dispõe de entrada gratuita às terças. Conseguimos chegar lá facilmente depois do Paço do Frevo, mas, acreditem ou não, faltou energia bem no meio da nossa visita. 

Recife • 2018

Estávamos numa sessão de cinema emocionante lá dentro quando houve a queda de energia. Ainda demoramos alguns segundos para perceber, porque pensamos que a escuridão fazia parte de algum efeito do filme. Mas não, era só nosso azar mesmo.

Aguardamos mais de quarenta minutos na esperança de o problema se resolver logo, mas nada feito, então vou guardar esse cantinho especial para uma outra visita, quando espero poder falar melhor sobre ele por aqui.

Estranhamente, me alegra pensar que tenho algo igualmente incrível para ansiar da próxima vez. Faz algum sentido para vocês?

Recife • 2018

Só nos restou caminhar pelas ruas dessa área histórica e colorida, onde já haviam indícios de que o carnaval estava próximo, como o famoso galo da madrugada exposto em uma das ruas principais.

Nas proximidades, o Paço Alfândega quebra um galho com várias opções de comida, sem falar na bela distração que é a Livraria Cultura ao seu lado.

Recife • 2018

O Artesanato de Pernambuco também é uma parada obrigatória, porque está cheio de coisas lindas e é um dos mais organizados que já vi entre as capitais que conheci no nordeste. Não pude deixar de comprar um imã da cidade.

Para quem não sabe, desde que voltei da Colômbia, comecei a fazer coleção de imãs das cidades que eu já visitei. Já fui para Recife desde então, mas essa foi a primeira vez que senti que estava conhecendo a cidade realmente, então precisei eternizar isso de alguma forma.

Recife • 2018

Ainda fizemos uma parada na Caixa Cultural, onde havia uma exposição inspiradora sobre um homem que sobrevoou vários lugares incríveis e outros marcados pela destruição natural, conhecendo a história das pessoas e dos lugares onde vivem. Aquele era o último dia em que ela estaria ali e me senti sortuda por um momento.


"Voar sempre foi a forma mais expressiva da palavra liberdade. É voando pelo horizonte, com o toque suave do vento no rosto, levitando pelo ar, que me sinto livre e em paz comigo e com a vida." Lu Marini


Foi saindo de lá que meu pai resolveu comprar um quebra-queixo de formato estranho e mega doce, que nem eu reconheci o que era de primeira. Vocês já comeram? Tem isso aí na cidade de vocês? Algumas pessoas já me responderam lá nas stories do insta do blog. Eu fico boba com algumas diferenças culturais, amo percebê-las e compartilhar novidades.

No domingo, encerramos o dia com bebidinhas marotas nomeadas em homenagens a bandas e cantores de rock. Até às 20h, exceto aos sábados, parece que elas saem pela metade do preço. Imaginem se não nos aproveitamos disso. A decoração e o Eric Clapton do meu irmaõ e a playlist de lá me fizeram adorar o Rock n' Ribs. Ele fica pertinho do Marco Zero, numa galeria com alguns bares e restaurantes.

Recife • 2018

Há quase um ano atrás, escrevi um post não tão animado sobre uma visita a Recife, que nunca chegou a ser publicado por não ser o tipo de conteúdo que eu gosto de compartilhar por aqui - frustrado e angustiado por não conseguir explorar a cidade como eu gostaria. 

Eu prometi a mim mesma desde então que só voltaria para lá pelos motivos certos, para fazer algo legal, e eu consegui ser fiel a essa promessa de alguma forma, então eu estou bem feliz de estar escrevendo esse post agora e de estar o publicando nessa quarta-feira de cinzas. 

Não passei o carnaval lá dessa vez, essas informações se referem a uma visita que fiz há cerca de duas semanas, mas lá é tempo de festa o ano inteiro e eu espero tê-los inspirado um pouquinho a conhecer a cidade e os preparado para esse momento. Afinal, Recife é a capital do frevo e...

"o frevo não convida, arrasta".



Até a próxima,

Lis




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Escrito por: Lisete Reis


 

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