22 de janeiro de 2018

Feira de pulgas de Usaquén, Parque Simón Bolívar e peripécias pela zona T

Parque de la 93, Bogotá • COL
 vinte e cinco de dezembro de dois mil e dezesseis

Imaginem duas pessoas perdidas, sonolentas e de corpo dolorido, éramos eu e a Lê na manhã de natal daquele ano. A gente se olhava com expressões tão desoladas, ainda no quarto do hostel, que dava até vontade de rir de repente. Acordamos um pouco mais tarde, para descansar melhor, mas descemos a tempo de tomar café da manhã e decidir o que fazer.

A noite fora longa e nossa viagem estava sendo muito intensa até ali, mas nós queríamos tornar nosso dia produtivo e conhecer melhor a cidade, então resolvemos caminhar pelo bairro em que estávamos, uma opção mais light para esse dia meio estranho, em que não sabíamos o que estaria aberto ou não.

Parque de la 93, Bogotá • COL

Nossos amigos do hostel resolveram conhecer a candelaria, que foi nosso primeiro programinha na cidade, então acabamos nos separando deles por alguns momentos. Éramos só eu, a Lê, algumas folhinhas voando pelo ar e um ou outro carro passando na rua. A cidade parecia adormecida.

Mas isso não foi um problema, ainda mais porque nos deparamos com várias ruas fofas e conhecemos a badalada zona T - famosa pelos bares, restaurantes e lojas chiquetosas - na maior tranquilidade, quando a maioria dos locais estavam fechados. Ela ganha esse nome pelo formato que a área tem, fechadas para carros em todas as três extremidades.

Parque de la 93, Bogotá • COL

Continuamos caminhando por um tempo e chegamos até o parque de la 93, um lugar super bonitinho que eu vi em algum cantinho dessa internet e que conseguimos conhecer graças às indicações do pessoal do hostel - mais uma vez.

Ainda que simples, achei esse um lugar encantador em Bogotá para perceber um pouco do cotidiano dos moradores, passeando com seus cachorrinhos, comendo algo pelo gramado, lendo ou se reunindo para conversar nos arredores.

Eu e a Lê dividimos um saco de batatinhas - nossa principal refeição enquanto viajamos, sim senhores - e relaxamos lá por um tempo, curtindo o ambiente. Uma das coisas que eu mais amava na nossa amizade repentina era a facilidade que tínhamos em nos adaptar aos locais e aproveitar cada momentinho, como se eles fossem incríveis à sua maneira. 

Parque de la 93, Bogotá • COL

Um detalhe que, pra mim, fez toda diferença, foram as mesinhas coloridas espalhadas ao redor de uma banca de livros, onde, aparentemente, você pode escolher algum para ler ou algo do tipo. Ela estava fechada, o que é totalmente compreensível para uma manhã de natal, mas achei aquilo muito adorável e fiquei imaginando como seria legal morar ali por perto.

Eu amo que tanto em Medellín quanto em Bogotá eu tenha encontrado cantinhos de incentivo à leitura. Eles só as fizeram subir no meu conceito.

Parque de la 93, Bogotá • COL

Continuamos nosso passeio até um ponto de ônibus mais afastado, onde a Natália - recepcionista do nosso hostel - nos disse que poderíamos pegar um até o mercado de pulgas de usaquén, um lugar em que vendem todo tipo de coisas antigas e interessantes, sempre aos domingos, mesmo em época de festas.

Como aquele era um domingo, a coincidência nos pareceu até um sinal para conhecermos mais um lugar legal na cidade antes de irmos. O que não pareceu um sinal foi percebermos que nosso cartão do transporte público da cidade estava zerado e que não havia um posto de atendimento próximo para colocarmos créditos.

Ainda tentamos entrar na linha de ônibus que nos levaria até usaquén, mas o motorista - muito gentilmente, se é que isso é mesmo possível diante das condições - não nos deixou passar, nem mesmo pagando em dinheiro.

Mercado de las pulgas de Usaquén, Bogotá • COL

Sozinhas no ponto de ônibus, depois de ter andando bastante do hostel até ali, pensamos que não valia a pena nem voltarmos até a estação las flores, a mais próxima de lá que conhecíamos. Estávamos entre pegarmos um táxi ou um uber, mas depois de verificarmos que chegar até usaquén caminhando levaria cerca de quarenta minutos, desistimos e seguimos pela avenida.

Não era nem pelo gasto que teríamos, mas o clima estava tão ameno e o bairro era tão agradável que nós decidimos juntas fazer essa caminhada. Eu e a Lê éramos muito tranquilas e deixamos claro que se uma achasse pesado no meio do caminho, deixaríamos a ideia de lado. Mas aconteceu que o trajeto passou tão rápido e foi tão tranquilo que nem sentimos. Ainda andamos com nossas jaquetas, pelo vento frio, e não chegamos nem a suar.

Mercado de las pulgas de Usaquén, Bogotá • COL

Quando vi no aplicativo do google maps quanto andamos no total, por pura curiosidade, nem acreditei que foram quase sete quilômetros. Se é muito ou pouco, depende do ponto de vista, mas acho que nunca andei esse tanto de uma vez na vida!

Chegando lá, eu amei a feirinha. Fiquei paquerando vários livros usados e quase comprei alguns, mas decidi deixar para fazer essas compras em Medellín, no final de tudo, porque durante essa semana estaríamos viajando só com uma mochilinha e ela não ia dar conta deles.

Em usaquén, há também muitos quadros legais, bolsas wayuu pelos melhores preços que vi em toda Colômbia, comidas diferentes e objetos personalizados e fofinhos, feitos pelos artistas locais. O melhor é ver tudo isso ao som de músicos de rua que dão um clima diferente à cidade. Já havia visto alguns antes, até mesmo dentro de ônibus para outros locais, e eles sempre me passaram uma sensação muito boa.

Mercado de las pulgas de Usaquén, Bogotá • COL

Almoçamos bem tardiamente - pouco antes das três da tarde - numa subway que tinha lá perto, porque era o único lugar acessível nas redondezas. Depois, já não sabíamos mais o que fazer. Ao mesmo tempo em que não queríamos voltar para o hostel, também tínhamos esgotado nossa listinha de lugares para conhecer na cidade.

De última hora é que lembrei do parque simón bolívar, do qual a Manu havia me falado em Medellín. Ela estivera em Bogotá antes que nós e me contou um pouquinho sobre ele, mas eu demorei para associar que ele se tratava de um lugar totalmente diferente da plaza que levava o mesmo nome, lá na candelaria. Isso fazia toda a diferença. Então foi para lá que nós fomos.

Parque Simón Bolívar, Bogotá • COL

Nesse momento, não tinha sentido quebrarmos a cabeça para usar o transporte público. Sentamos no aconchego de um táxi qualquer e descemos numa grande área verde, cheia de áreas de lazer, pessoas fazendo piqueniques, jogando bola e fazendo várias outras coisas super divertidas. A gente até parou para ver alguns grupos soltando bolhinhas de sabão e fazendo truques de mágicas.

Tudo é muito aberto e bem cuidado, tendo como ponto de encontro principal um lago. Ficamos por ali algum tempo, descansando e vendo o sol se pôr. Não tem nada melhor do que apreciar a tranquilidade às vezes e aqueles momentos por ali resumiram bem nosso dia.

Nós ainda encontramos, por muita coincidência, dois garotos que havíamos conhecido na noite anterior, no hostel em que passamos a véspera de natal.

Parque Simón Bolívar, Bogotá • COL Parque Simón Bolívar, Bogotá • COL

Nessa calmaria foi que voltamos para a republica, onde dividimos nossas peripécias com nossos colegas de lá e eles com a gente. O Henrique estava louco de preocupação porque a Pam sumira com um italiano qualquer que conhecera na rua. (Pouco depois, chega ela toda animada nos contando sobre seu dia.) Aventuras e amizades de viagens são completamente aleatórias, não são? Ele conhecera a todos um dia antes e já era como um irmão mais velho.

A essa altura, acrescentamos ao nosso pequeno grupo a Paty, uma brasileira com pinta de mexicana - pelo tempo que morou lá - que chegou a nos fazer companhia por muito tempo depois, em Santa Marta e em Cartagena.

Com fome e devidamente apresentados, fomos todos nos aventurar pela zona T. Eu e a Lê, pela segunda vez no dia, mas com a diferença de que nesse horário ela estava incrivelmente mais movimentada. Acabamos ficando num restaurante-bar super badalado de lá chamado Andrés D.C..

Andrés D.C., Bogotá • COL

Quatro andares completamente decorados e animados dão fama ao lugar, divididos entre céu, purgatório, terra e inferno. Você escolhe por onde começar.

O cardápio é enorme e chama muita atenção pela quantidade de páginas e imagens - acho que são mais de sessenta -, mas isso torna muito difícil escolher alguma coisa. Pedimos uma sugestão que atendesse melhor a todo mundo e acabamos comendo algumas carnes típicas como petiscos.

Andrés D.C., Bogotá • COL

O chato é só que os preços de lá são muito caros e nós acabamos saindo insatisfeitos, porque ainda queríamos comer, mas pedir mais pratos significaria aumentar ainda mais um valor que não achamos justo.

Para vocês terem uma ideia, eles mesmos tem noção disso e trazem a conta numa caixinha de metal com chave e cadeado, como se ela contivesse um tesouro. E continha mesmo: quantidades consideráveis de dinheiro indo embora.

Andrés D.C., Bogotá • COL

No geral, não tenho o que falar do ambiente, que é super agradável e diferente, com uma decoração super cool, além de músicas, bebidas, pratos típicos e uma galera bonita e educada. Só acho que ele não fez muito nosso estilo no momento pelo o que estávamos dispostos a pagar.

Ainda fizemos amizade com uma garçonete de lá e tivemos o desprazer de descobrir que o gerente - ou quem quer que seja - obriga a todas elas a usarem seus nomes posicionados propositalmente na parte inferior das suas costas, incitando algo que as deixa super desconfortáveis. Se saímos deixando uma reclamação? Saímos sim.

en las calles de Bogotá • COL

Ignorando alguns aspectos inconvenientes, como esse que falei agorinha, esse foi um dia para consolidar o sentimento de que amei Bogotá, no pouco tempo em que a conheci.

Eu e a Lê ainda não sabíamos, mas esse seria nosso último dia de verdade por lá, porque nos meteríamos em uma grande furada no dia seguinte, mas eu adorei que a gente conseguiu fazer bastante coisa e conhecer cantinhos fofos da cidade gastando quase nada, especialmente os que não planejamos e descobrimos só andando por aí, por onde o vento nos levasse.




Para entender melhor os milhares de nomes que eu cito no post e o que eu fiz antes de chegar até aqui, não deixem de conferir as sugestões que vou deixar logo mais e assistir ao vídeo da cidade. Também tem muitas outras fotinhas de Bogotá no álbum do flickr que fiz especialmente para ela, tá? :)

Um beijo, gente.

Lis


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Escrito por: Lisete Reis


 

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