22 de dezembro de 2017

La Candelaria: o coração de Bogotá

Cerro de Monserrate, Bogotá • COL

Há exato um ano, eu e Lê chegávamos em Bogotá. Era noite, nós pegamos aviões diferentes - ainda que quase no mesmo horário - por causa do preço do primeiro, que aumentou consideravelmente de uma hora para outra, mas logo nos encontramos nos arredores do desembarque para o que seria nossa primeira aventura daquelas férias. Passaríamos os próximos cinco dias na capital da Colômbia, o que incluiria o natal.

Me lembro de estar com um cardigã fechado, além de vestir uma jaqueta por cima, e ainda assim sentir todos os meus ossinhos congelando por baixo de todas aquelas roupas. Queríamos pedir um uber, porque ele nos cobraria o equivalente a menos de vinte reais para nos levar até o hostel, então lá estávamos nós no frio da noite de Bogotá vagando pela parte externa do aeroporto, o que só piorava a nossa situação. Ainda mais porque todas as nossas tentativas foram falhas e nós insistimos por um bom tempo. Nenhum uber parecia conseguir chegar onde estávamos, até que desistimos e aceitamos uma das milhares propostas de táxis que nos ofereceram desde que chegamos.

Para a nossa surpresa, a viagem com um dos taxistas acabou nos custando quase a mesma coisa. Além disso, o caminho até o hostel foi tão rápido que mal nos aconchegamos no calor que estava o interior do carro e já chegamos. Nossa viagem foi programada tão de repente que descobrimos só ali que o aeroporto de Bogotá está situado bem no meio da cidade, o que torna o trajeto para onde quer que seja muito mais prático e seguro, especialmente para quem viaja tarde da noite, como a gente.

Centro cultural Gabriel García Márquez, Bogotá • COL

Quando chegamos na república hostel bogotá já era quase meia noite. Estávamos mortas de fome e de cansaço, atrás de uma manta quentinha. Tudo resolvido rapidamente pelo recepcionista.

Eu poderia me prolongar por todo esse post falando das nossas reações e surpresas ao conhecer o lugar mais bonitinho e atencioso que nós poderíamos ter escolhido para ficar na cidade, mas esse é um assunto que eu vou deixar para outro momento. Após uma boa noite de sono, nossa aventura foi toda pelo bairro la candelaria. O tipo de lugar que tem ruas chamadas rua dos amigos, rua dos ensinamentos, etc. 

La Candelaria, Bogotá • COL

Chegar lá já foi um desafio. Usamos pela primeira vez o transporte público de Bogotá e sentimos falta de imediato de Medellín, com toda sua organização, estações e palavras para representá-las. Em Bogotá é tudo muito diferente porque a cidade é bem maior e não possui metrô, apenas um sistema de ônibus integrado.

Além disso, eles usam letras e números combinados para representar algumas estações, o que me deu um nó na cabeça para entender o que fazer e até agora não acho que tenha entendido. O que nos salvou foram as indicações do pessoal do hostel em todos os momentos: desce no F11, G12, A14, faz baldeação, pega a direita, vai pra tal canto... e assim a gente se virou. Para a candelaria, depois de muitas letras e números, nosso destino final foi a estação las aguas. 

Não faço ideia de como conseguimos de fato, mas chegamos lá. Daí em diante, descobrimos que toda a graça do lugar é se deixar perder.

Plaza Bolívar, Bogotá • COL

Ela tem uma arquitetura antiga, mas muito bonita, museus, galerias, uma área de comércio, lojinhas, arte, restaurantes chiques, cafeterias populares, bibliotecas, praças, parques, universidades e tudo o que há de bom.

Não faltou uma pitadinha de nada para completar sua perfeição. Passamos o dia batendo perna e quando anoiteceu ainda quisemos parar o tempo para continuarmos explorando ainda mais. O mais legal é que não importa realmente em qual rua você resolva virar, ela com certeza guarda alguma coisinha especial para você conhecer.

Antes de começar nossas andanças, porém, resolvemos aproveitar que não estava tão nublado assim para subir o cerro de monserrate, que fica a uma pequena distância dos fundos da estação em que descemos.

Cerro de Monserrate, Bogotá • COL

Ok, ela não é tão pequena assim, mas dá para ir caminhando tranquilamente - com uma garrafa de água a tiracolo. Nos guiamos pelo GPS no início, mas logo avistamos uma montanha alta, além dos trilhos do trem que leva as pessoas até o topo dela, e seguimos em sua direção.

Chegando à base, é preciso pagar a passagem do furnicular, que custa 18.000 COP por pessoa, um valor que pode te fazer olhar pra cima e duvidar se vale mesmo a pena o investimento,  como eu e a Lê fizemos, mas descobrimos que vale.

Cerro de Monserrate, Bogotá • COL

Quando fomos, o tempo estava começando a fechar, o que fez com que a vista não tenha sido tão limpa quanto esperávamos, mas o clima da cidade é exatamente esse e eu gostei de ter presenciado lá de cima ela ir se transformando. Pegamos 7ºC quando subimos e esse meu sorriso aí era de nervoso, por não ter nada mais quentinho ao meu alcance.

Cerro de Monserrate, Bogotá • COL Cerro de Monserrate, Bogotá • COL

No topo do cerro existem ainda alguns pontos chaves, como uma igrejinha, um quiosque de informações turísticas que nos deu explicações super úteis do que fazer pela cidade e várias lojinhas de artesanato, onde comprei mais um item da minha coleção de ímãs viajantes.

A decoração estava bem exagerada por causa do natal, mas vocês já sabem como os colombianos se sentem nessa época do ano, não é mesmo? Nem fiquei surpresa!

Cerro de Monserrate, Bogotá • COL

E assim, de repente, começou a chover.

Basicamente um sinal para descermos dali e começarmos a explorar o bairro, nem que fosse dividindo um guarda-chuva de 3.000 COP, morrendo de frio e batendo os dentes.

A medida que fomos descendo o cerro, a neblina foi ficando menos densa, o que nos deu um baita alívio, porque lá de cima ela estava começando a ficar realmente assustadora. Não por acaso, nossa primeira parada descendo de lá foi numa cafeteria chamada café del huila magola buendía.

Café del Huila, Bogotá • COL

Estávamos com muita vontade de tomar algo quentinho, ao mesmo tempo em que queríamos escolher bem onde ficar, porque já era mais de meio dia e precisávamos comer alguma coisa também. Então passamos por alguns lugares que nos pareceram muito caros, ainda que lindos, e fomos atraídos até esse café, que é todo sobre aconchego e buenas vibras.

Primeiro só vimos uma salinha, que conta com um ambiente todo dedicado ao chocolate, com diversos tipos disponíveis para compra e para consumo. Só por isso, já decidimos ficar e fazer um lanche que acabou se tornando nosso almoço, porque as porções eram bem generosas e estavam uma delicinha.

Café del Huila, Bogotá • COL
Felicidade tem preço e custa 8.000 COP 

Só depois que já estávamos prestes a ir embora, quando a Lê perguntou onde ficava o banheiro e a moça apontou para os fundos da loja, foi que percebemos a existência de um outro cantinho aconchegante e maravilhoso, dedicado somente ao café.

Café del Huila, Bogotá • COL

Eu juro que a gente ficou boba de não ter visto aquilo ali antes. O lugar era enorme, cheio de espaços diferentes com sofás, redes, quadros fofos nas paredes e outros objetos inspiradores, até bilhetinhos escritos pelos visitantes do lugar.

Café del Huila, Bogotá • COL

O ambiente é rústico, não tem muito luxo, mas tem uma energia que me agrada e um charme especial na sua decoração. De toda forma, para mim, mais vale o sentimento que um lugar provoca do que sua aparência.

Café del Huila, Bogotá • COL Café del Huila, Bogotá • COL

Nós estávamos apressadas, porque já entardecera e nós ainda mal havíamos explorado a região, então não pudemos aproveitar essa descoberta tanto quanto gostaríamos, mas esse foi um acaso muito legal que cruzou nosso caminho. Sentimos nada mais que pura identificação olhando as paredes do café.

Café del Huila, Bogotá • COL
FORA TEMER em todas as partes do mundo, sim senhores.

Café del Huila, Bogotá • COL
Me apaixonei por esse cantinho! 

Depois, abastecidas e com o coração quentinho - o resto do corpo continuava gelado mesmo -, fomos caminhando até chegar no museo del oro, um dos lugares mais famosos da região, que representa a história dos antepassados colombianos através de muitos objetos antigos, explicações e exposições.

Museo del oro, Bogotá • COL

Pense numa riqueza, viu? Muito ouro, muito ouro, por todas as partes. Três andares de ouro, para ser precisa. Mas brincadeiras à parte, o museu é muito grande, tem ambientes interativos e diversos que podem prender sua atenção durante todo um dia, se você tiver disponibilidade.

Infelizmente, a calmaria com que conhecemos Medellín não mais existia em Bogotá, por conta do nosso tempo limitado, e nos passamos pelas salas com certa pressa, ainda que tenhamos ficado lá por quase duas horas. De toda forma, acho que valeu a pena ter conhecido o museu. Ele não era uma prioridade, mas faz parte da cultura da cidade e foi interessante ter tido a oportunidade de conhecê-lo.

Museo del oro, Bogotá • COLMuseo del oro, Bogotá • COL

Estranhamente, a parte que eu mais gostei foi a que tem menos a ver com a história do ouro. Ela é um dos últimos ambientes do museu e explica como a história contada por lá faz parte do patrimônio da Colômbia e o quanto é importante preservá-la. A partir disso, convida os visitantes do museu a deixar registrado um pouquinho da história deles. Não é incrível?

Museo del oro, Bogotá • COL

Essa foto minha que a Lê tirou foi muito espontânea, de quanto eu estava realmente lendo o que as pessoas tinham escrito. Tantas caligrafias diferentes, de lugares diferentes, falando línguas diferentes. Era muito legal de ver! Logo ao lado, ficam alguns post-it disponíveis e canetas para você contribuir com o painel e eu também quis registrar algumas coisinhas. 

Lá por perto, descobrimos também o museo botero, que lembra muito o museo de antioquia, em Medellín, mas com obras que eu achei ainda mais legais. É até estranho dizer isso, porque Botero é de Medellín, mas o museu de Bogotá tem uma estrutura que chama mais atenção, com obras inéditas e muito famosas do artista das grandes formas.

Museo Botero, Bogotá • COL

Vocês podem conhecer um pouco mais do seu traço nesse post aqui, mas toda a Colômbia se orgulha do seu trabalho e exalta sua arte.

Apesar do nome que leva, muitos outros artistas são prestigiados no museo botero e essa também é uma visita muito legal para fazer nas mediações da candelaria.

Museo Botero, Bogotá • COL

Outro lugar que eu fiz questão de conhecer foi o centro cultural gabriel garcía márquez, um espaço dedicado a literatura, a arte e a cultura em homenagem ao escritor que lhe deu nome.

Centro cultural Gabriel García Márquez, Bogotá • COL

Eu estava muito animada para conhecer o centro e ele é realmente muito bonito e estruturado. Só fiquei decepcionada com os preços dos livros, que nem se comparam aos que achei no centro de Medellín, mesmo que eles sejam novos, então acabei não levando nada, apenas curti a visitação.

Centro cultural Gabriel García Márquez, Bogotá • COL

A livraria é enorme, a ponto de você não querer sair mais nunca, só para tentar dar uma olhada em todos os exemplares, então tenha certeza que eu parecia um pintinho no lixo mesmo com os preços altos. O segundo andar tem uma vibe ainda mais aconchegante, com alguns livros de edições especiais.

Se eu tivesse mais tempo, passava a tarde toda ali mesmo, até porque o centro dispõe também de uma cafeteria e tudo o que você pode querer numa tarde fria é uma bebida quente e um livro.

Centro cultural Gabriel García Márquez, Bogotá • COL Centro cultural Gabriel García Márquez, Bogotá • COL

Seguindo em frente, nos deparamos ainda com vários outros lugares legais, só não tivemos tanto tempo assim para aproveitá-los, como a biblioteca del pensamiento liberal colombiano, a qual dispõe de um restaurante em seu interior, e a biblioteca luis-angel arango, bem próxima ao museo de arte del banco de la republica, além de lugares menores e pouco conhecidos que nos atraíram justamente pela simplicidade e originalidade.

A candelaria dá espaço para muitos locais mostrarem sua arte.

La Candelária, Bogotá • COL

Por último, encontramos o maior símbolo do bairro, a famosa plaza bolívar. Não sei como, mas nós andávamos e andávamos e não passávamos pela danada. Tivemos que ir pedindo algumas informações e dando uma olhadinha no GPS para não irmos embora sem vê-la.

De um lado, está a catedral, de outro a prefeitura e o palácio da justiça.

Plaza Bolívar, Bogotá • COL

E ah! Por todas as partes estão os pombos, a característica mais marcante de toda a praça, claramente. O engraçado é que eu não notei a presença deles em qualquer outra parte do bairro, só ali, como se a praça tivesse algo que os chamasse de alguma forma.

Eu dividia meu tempo entre desviar, espantar e tentar passar por eles, para fazer nosso caminho de volta até a estação las aguas.

Plaza Bolívar, Bogotá • COL

Aquela altura, voltara a chover e escurecera, sinal de que nosso dia chegara ao fim, mas tanto eu quanto a Lê ficamos tão encantadas que bastava olharmos uma para a outra para entrarmos em só mais uma lojinha legal que encontramos pelo caminho.


Esse post contém muitas informações, é verdade, mas achei que não fazia sentido dividir o coração de uma cidade. A candelaria tem uma energia que não encontrei em qualquer outra parte de Bogotá, ainda que ela seja muita turística, porque, independente disso, ela é original e cheia de diversidade.

Tem muita coisa para ver e para fazer. Com um pouco mais de folga, eu voltaria milhares de vezes e aproveitaria cada detalhe seu. Tenho certeza que os locais citados aqui fazem parte apenas de um pequeno universo que ela abriga e que há muito mais para ser descoberto. ♡ Espero voltar logo para essa tarefa.


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Escrito por: Lisete Reis


 

3 comentários:

  1. Como sempre, amo seus posts sobre a Colombia, Lis! Fiquei um tempinho sem passar por aqui, mas prometo que estou lendo todos que perdi! ;)
    Adoro conhecer um pouco mais desse país pelos seus olhos, já que você foi a tantos lugares e aproveitou bastante por lá.
    Mas o que você achou do povo colombiano? Quando eu morei no México conheci alguns, mas eram bem mais velhos (idade dos meus pais). Queria saber como é a galera jovem de lá!

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    Respostas
    1. Ai, Ana, meu dia ficou muito mais lindo com o seu comentário. Obrigada por me acompanhar. ♡ Sobre sua pergunta, eu nunca me senti tão acolhida pelas pessoas de um lugar, especialmente em Medellín, que foi onde conheci mais jovens da Colômbia mesmo, por causa da AIESEC. Tentaram me ensinar a dançar salsa, bachata, reggaeton... Me mostraram lugares especiais da cidade e estavam sempre me ajudando com o meu espanhol ou falando algo curioso, como gírias e bandas legais. A gente conversava sobre tudo. Eles eram divertidos e não gostavam de parar em casa. (Sério, eles saem bastante.) Não sei se tive muita sorte, mas se fosse para dizer, eu diria que eles são um povo bem incrível. ♡ Espero que você conheça pessoas assim por lá qualquer dia!

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    2. Que demais, Lis! O mais legal da AIESEC é que ela tem o poder de juntar uma galera bem animada, né? <3

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