11 de novembro de 2017

O centro de Medellín e as obras de Botero

Plaza Botero, Medellín • COL

Ah, o centro de Medellín. Todo ritmo, movimento e cultura da cidade ao seu alcance, em forma de empanadas fresquinhas vendidas pelas esquinas, sucos de frutas expostos em caixas de vidros pouco higiênicas e obras de arte espalhadas pela praça principal. Foi lá que eu descobri os melhores sebos da cidade, o coração do comércio paisa, a arte que eles se orgulham e o meu poder de pechincha.

A concentração se dá nas mediações do parque berrío, o qual tem uma estação com esse mesmo nome logo à sua frente, próxima ao palacio de la cultura. Inclusive, impossível não notá-lo passando de metro, mesmo que se esteja indo para um outro lugar, pela estrutura pomposa e nada discreta da construção. 

Plaza Botero, Medellín • COL
A estrutura de que estou falando é aquela pontinha black and white lá trás!

E se de longe o palacio já chamava atenção, estar na sua entrada me fez sentir ainda menor. Um dia, quando sai do meu trabalho em san antonio (dava pra ir caminhando!), tive a chance de conhecê-lo por dentro depois de tanto passar apenas pela sua frente e comecei a amar um pouco mais a cidade. 

Àquela altura eu já sabia que ela contava com muitos espaços que a população poderia realmente usar, sem restrição, mas naquele dia eu descobri mais um para me encantar. Há salinhas de estudo, biblioteca e uma vista panorâmica bem legal dos arredores, além de exposições artísticas. A arte é bastante valorizada, especialmente por causa de Botero, e isso era muito legal de ver.

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Time da fundação gota de leche em mais uma aventura ♡

Já repeti algumas vezes que não sou nenhuma especialista nisso, mas se você conhece uma obra de Fernando Botero, você automaticamente reconhecerá sua assinatura em qualquer outra. Ele é um grande artista local, motivo de orgulho para cidade por suas obras conhecidas mundialmente, mas impressionante mesmo é a identidade visual que ele que coloca em cada produção sua.

Sua percepção artística é bastante exagerada, ele mesmo admite que escolhe uma parte da ideia principal para tornar desproporcional ao resto, mas é assim que ele assina e todos o reconhecem pelas formas que usa. Isso é algo tão presente na cultura local que você nem precisa entrar em museu algum para conhecê-lo. Há várias de suas obras em bronze espalhadas pela plaza botero, por trás do palacio de la cultura, e o espaço virou uma atração tanto para os turistas quanto para os próprios moradores!

Plaza Botero, Medellín • COL

Além do mais, há incontáveis ambulantes por todas as partes, vendendo bugigangas relacionadas às tais obras, reforçando o comércio do turismo por ali, sem falar no museu de antioquia mais adiante, para quem quer conhecer o mundo de Botero mais a fundo e de outros artistas locais. O preço é acessível e eu ainda consegui pagar metade mostrando um comprovante de estudante do Brasil, eles são muito tranquilos quanto a isso e acaba valendo a pena, porque a estrutura é enorme, com salas e mais salas repletas de quadros e esculturas.

Museo de Antioquia, Medellín • COL Museo de Antioquia, Medellín • COL Museo de Antioquia, Medellín • COL

Fui com a Jullie e o Lívio e nós viramos - ainda mais - crianças em alguns ambientes. Os dois saíram bolando pelo chão em busca da foto perfeita em um, eu me senti a própria alice no país das maravilhas em outro, onde os objetos eram completamente gigantes e desproporcionais.

Museo de Antioquia, Medellín • COL

Haviam ainda ambientes críticos e itinerantes que, na época em que eu visitei o museu, relembraram a violência que assolou a cidade nas últimas décadas - sobre a qual ainda quero abordar aqui em outro momento. O ambiente relicario foi um dos mais emocionantes, trazendo objetos muito íntimos de algumas vítimas, cedidos pelas famílias e expostos de maneira muito pessoal. Cada vidrinho ali representava uma história e era simplesmente impossível andar pela sala e não mergulhar nelas.

É incrível como não só nesse museu, mas em outros lugares da cidade, eles fazem questão de lembrar dos massacres provocados pelo forte tráfico de drogas que existia na região, como uma forma de eternizá-los na mente de todo mundo para que eles jamais se repitam.

Museo de Antioquia, Medellín • COL Museo de Antioquia, Medellín • COL

Um pouco pesado, não? Mas extremamente importante.

Saindo do círculo que acabo de mencionar está o comércio de verdade, com lojas de todos os preços, vendedores de rua e até galerias de artesanato. Só não tenha receio de caminhar, porque essa é a chave para encontrar as melhores coisas. Foi apenas perto do parque bolívar que eu comprei algumas lembranças para os meus pais, quando já estava prestes a voltar para casa. As presenças mais fortes são dos objetos de couro, de madeira, com detalhes talhados muito lindinhos, e das bolsas wayoo.

Comprei uma dessas bolsas tipicamente colombianas no pueblito paisa, porque achei a qualidade superior, além de cores mais sóbrias, mas no comércio você as encontra por até 55.000 COP. O interessante é que no Brasil elas são bem mais caras e elitizadas, enquanto na Colômbia elas são quase uma patrimônio cultural, usadas por crianças, adultos, gente mais pobre e gente mais rica, sem distinção. Além disso, elas são feitas à mão e você geralmente compra de quem as faz, o que é um baita incentivo ao comércio local.

Parque Bolívar, Medellín • COL

parque bolívar, que eu mencionei agora há pouco, é outro point do centro, marcado pela igreja principal e esculturas relacionadas à Simón Bolívar, muito homenageado por toda Colômbia, já que foi o responsável pela independência do país. Por isso que vocês ainda vão ler bastante seu nome por aqui, em praças e parques de Bogotá, Cartagena e Santa Marta, por exemplo.

Mas meu lugar preferido nessas mediações? Uma rua repleta de sebos com livros em várias línguas, de todos os tipos, e eles os procuram por nome, é só pedir. Me arrependi tanto por não ter comprado mais! Trouxe dois livros do Gabriel García Márquez, mas deveria ter aproveitado melhor. Eles estavam conservados e custavam não mais que 5.000 COP, isso se eu não pechinchasse muito. Dava para ver que os vendedores gostavam quando alguém perguntava sobre algum livro específico e se esforçavam para encontrar, perguntando para outros vendedores por perto, apenas pelo prazer de encontrar um dono para aquelas obras, porque o preço era mesmo simbólico.

(Obrigada, Vero, por ter me mostrado esse paraíso, acho que não teria conseguido sozinha e nem sei explicar aqui como chegamos lá, nós só andamos e andamos.)




O centro é um mundo que eu adorei explorar. Para mais fotos, é só dar uma passadinha no meu flickr.




Escrito por: Lisete Reis


 

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