24 de outubro de 2017

Parque arví: zona verde a um metro cable de distância

Parque Arví, Medellín • COL

Eu amo o fato de ter conseguido visitar alguns lugares especiais mais de uma vez, em circunstâncias completamente diferentes, e o parque arví foi mais um deles. Ainda assim, ele faz parte de uma reserva tão grande que eu acho que nem assim fui capaz de dar conta de sua extensão e descobrir cada pedacinho seu, mesmo que o segundo dia tenha me deixado com uma sensação de dever cumprido mais sólida.

Para que fique claro, ele não é um parque qualquer no meio da cidade. O parque arví fica relativamente afastado de tudo, numa reserva mais alta onde você precisa ir ao extremo norte de Medellín e utilizar, ao menos, dois metro cables diferentes. Um deles funciona por conta do sistema de integração de transporte público, o outro, que leva as pessoas diretamente ao parque, cobra um valor a mais, como uma espécie de entrada disfarçada, já que ele só funciona em razão do parque e sua entrada seria supostamente grátis. Apesar disso, o valor é simbólico, de cerca de 4.000 COP, se não me engano. Também dá para chegar lá de carro, mas é algo pouco viável, considerando que o transporte público funciona tão bem.

Parque Arví, Medellín • COL
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O parque arví é conhecido por suas belas paisagens naturais e atividades aventureiras, de trilhas, esportes radicais e circuitos. Na primeira em que eu fui, estava com a Lê e com a Manu. Era a primeira vez que saíamos juntas e não fazíamos ideia do que nos aguardava, nós só sabíamos o básico sobre como chegar lá, então tudo se tornou uma surpresa e o passeio foi mais tranquilo.

A aventura começou ainda no caminho, dentro do metro cable. Nunca fui de ter medo de altura, mas acho que aqui se aplica a mesma traição que sinto quando estou num avião. Meu corpo não funciona em conjunto com a minha mente e eu fico levemente enjoada, ainda que me sinta bem com a situação. Um dia ainda quero entender essa loucura. Para piorar, as paisagens que deixávamos para trás iam tornando a cidade ainda menor aos nossos pés e a neblina começava a cobrir qualquer sinal de que aquele cabo nos movendo estava conectado a qualquer tipo de terra firme. Passei o caminho meio tonta, mas animada para a chegada.

Felizmente, descemos para lidar com várias barraquinhas de comidas típicas, como arepas doces, salgadas, obleas, buñuelos, palitos de queso, entre muitas outras coisas deliciosas. Só que elas estavam tão cheias de gente, ainda mais por se concentrarem na entrada do parque, que deixamos elas para lá e fomos atrás de informações úteis no balcão de informações turísticas.

As coisas eram um pouco dispersas por ali, nós basicamente pegamos um mapa e decidimos nos virar assim mesmo, o que se mostrou um pouco difícil, primeiro porque ninguém parecia querer se afastar da zona de comida - não os culpo, porém. Haviam poucas almas corajosas que andavam em direção à estrada que nos levaria a sabe deus onde e o pior é que nem havia uma calçada decente para ficarmos longe de qualquer carro ou ônibus que pudesse aparecer. Mesmo assim, fomos seguindo o fluxo de uns franceses que reconhecemos do balcão, mas eles andavam rápido demais e logo ficamos para trás.

Sozinhas, as três, no meio da estrada de um parque enorme.

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Na maior parte do tempo, a gente pensou que não tinha como dar errado, era só seguir em frente, até que a gente se deparou com mais de uma rua a seguir e zero placas indicando o caminho. Por sorte e um pouco de cara de pau, perguntando a homens parcialmente bêbados num bar de beira de estrada no meio da manhã, achamos nossa primeira parada:o chorro clarín.

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Nós estávamos sem entender porque o lugar estava tão vazio, mas considerando a distância e o tempo que levamos para chegar ali - acho que mais de trinta minutos - sua situação era até compreensível. Haviam mesas de madeiras enormes e alguns comerciantes, que nos olhavam esperançosamente em busca de vender suas frutas ou salgados. Até conversamos com alguns deles, mas fomos distraídas quando começamos a ouvir um barulho de água corrente e ficamos sabendo que lá havia uma cachoeira.

Seguimos o som até encontrar sua fonte e, nesse quesito, o parque é ainda mais desleixado, no estilo se vira aí, mas a gente se virou mesmo e a encontrou. Ficamos num lugar amorzinho perto dela, sentadas no chão comendo as laranjas-cravo que a mãe da Maria fizera questão de me entregar antes de sair de casa, já que eu saí apressada e não tinha tomado café da manhã.

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Passamos algum tempo lá, mas haviam também algumas pontes coloridas em meio ao verde e marrom de sempre e aproveitamos para conhecer o que tinha ali por perto. O chato foi quando a fome foi batendo, a gente só pensava em como faria para voltar para a frente do parque. Não resistimos em comprar alguns salgados empanados que encontramos no meio do caminho para enrolar o estômago.

Só que enquanto estávamos comprando, um ônibus do parque passou por onde a gente estava - pela primeira vez! - e nós corremos desesperadas para pedir que ele parasse, por misericórdia, com saquinhos de empanados nas nossas mãos e tudo. Pagamos uma quantia pequena, creio que de menos de 2.000 COP, o que valeu totalmente a pena para evitar toda a caminhada de volta, ainda mais subindo algumas ladeiras. Era o que devíamos ter feito antes, não é mesmo? Mas agora já era tarde. E fora um passeio diferente ao ar livre, nós passamos um tempo muito bom assim mesmo.

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De volta a entrada principal, já no início da tarde, ficamos tentando entender o mapa do parque e decidir para onde podíamos ir no momento, mas isso é complicado quando você não faz ideia do que tem em cada lugar. Voltamos para o balcão de informações e uma mulher nos explicou que os lugares mais visitados são a comfama, uma rede de esportes radicais e circuitos naturais, e o piedras blancas, um lugar em que havia um mariposário, vista para um lago, entre outras coisinhas.

Considerando que o comfama era bem mais caro e não estávamos com roupas adequadas para fazer as atividades, optamos pela escolha mais tranquila, rumo ao piedras blancas. Dessa vez, devidamente dentro de um ônibus e não caminhando por aí como três malucas.

Parque Arví, Medellín • COL
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Mas aquele não era um ônibus qualquer. Era uma chiva! Foi minha primeira vez num dos transportes coloridos e dançantes de Medellín. Eu adorei as músicas e o fato de ele ser aberto nas laterais, para a gente se sentir mais conectado com as paisagens. O problema foi só quando estávamos perto de descer e começou a chover.

A chuva estava fina, mas nós já nos tremíamos de frio, num estado sofrível de bater os dentes mesmo. O clima da cidade é completamente instável e isso me deixava inquieta, porque você poderia estar suando num momento, depois completamente congelada em outro. Meus dedos estavam arroxeados e a gente se olhava sorrindo, mas de nervoso, loucas para arrumar um cantinho para se aquecer.

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Precipitadamente, pagamos a entrada do piedras blancas, acho que custou uns 7.000 COP, mas depois nos arrependemos, porque naquela situação não iríamos conseguir nem entrar. Esperamos a chuva parar na bilheteria, mas vimos que não ia ter jeito e fomos andando quando ela foi ficando mais leve, passando por caminhos de barro, morrendo de medo de levar um queda, mas determinadas a ver alguma coisa daquele lugar e tomar algo quentinho. Depois de alguns obstáculos, conseguimos um copinho de café no fim da nossa caminhada que equivaleu a uma coca-cola no deserto, viu? Que alívio só de segurá-lo.

E, assim, de repente, a chuva parou, depois de toda a nossa saga. Não estávamos reclamando exatamente - ou talvez estivéssemos sim, mas só porque ela poderia ter parado antes. Ainda assim, o mariposário ficou fechado, porque as mariposas não saíam em tempos frios e nós voltamos numa outra chiva para a entrada principal perto das quatro da tarde, faltando apenas algumas horas para o parque fechar, o que nos fez parar nossas andanças por ali mesmo.

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Nosso dia por lá foi tumultuado pelo clima e nossa caminhada no início, mas a gente não perdeu a vontade de explorar e ficou na vontade de fazer mais coisas, além de voltar mais preparadas, com comidas para piquenique, toalhas e algo mais quentinho para vestir. O parque pode ser ainda mais legal se você souber como aproveitá-lo, o triste foi que justamente quando estávamos indo embora é que entendemos seu ritmo.

Os dias foram passando e novos lugares e atividades foram surgindo para fazermos, até que não tivemos mais tempo de voltar no parque, pelo menos não juntas. Na segunda vez em que estive lá, minha companhia foi um colombiano especial que conheci no início da viagem. Saímos juntos algumas vezes e ele sempre tratava de pensar em me levar para fazer coisas que nem eu nem ele tínhamos feito antes, para que o momento se tornasse mais memorável de alguma forma.

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Nesse dia, a aventura da vez seria conhecer a comfama e fazer seu circuito radical, coisa que ele jurava ser a minha praia, por minhas ideias malucas de viajar o mundo. Mal sabia ele que as chances de eu cair lá de cima e ficar amarrada pelas cordas de segurança eram de 99%, considerando minha reputação em desastres. Sorte a minha que o 1% prevaleceu e conseguimos terminar o circuito tranquilamente, ou seja, muita tensão e pernas bambas depois.

Lá existem vários níveis de circuitos, que são montados e interligados entre as árvores. Quanto mais alto, mais difícil, mas há um treino bem baixinho antes de encarar o circuito em si e você pode escolher, com a ajuda de um especialista de lá, qual nível funciona melhor para você. Nós resolvemos fazer um que era intermediário, cheio de escaladas, caminhos com coisas que se mexiam e me deixavam morta de medo de pisar no lugar errado, tirolesa, entre outras coisinhas.

Tenho certeza que eu parecia estar plena por fora, brincando com o Julian sobre cada obstáculo. Mas por dentro? Orando a Deus que eu não ficasse pendurada por aquelas cordas. Percebam que meu medo nem tinha a ver com cair e me espatifar no chão, porque o equipamento de segurança me passava bastante confiança, ele só tinha a ver com passar vergonha mesmo, minha especialidade na vida.

Parque Arví, Medellín • COL

Ainda assim, foi uma programação muito divertida, uma das partes mais legais do parque para quem curtir esse tipo de desafio. Acabei não tirando nenhuma foto nesse dia, de tão envolvida que fiquei com as atividades, mas se vocês quiserem entender um pouco melhor como funciona, achei um vídeo no canal da comfama que faz o trabalho completo. É só clicar aqui, tem pouco mais de um minuto.

A empresa é bem organizada, os ônibus deles buscam as pessoas na entrada principal e as levam até lá, onde também há restaurantes e você pode se informar melhor sobre o que tem para fazer. Tem, inclusive, uma sala de cinema, ela só estava inundada quando fomos por conta de uma tempestade de gelo caindo lá fora, então não sei bem como ela funciona.

Eu mencionei que estava caindo gelo do céu? Ressaltando apenas para o caso de alguém não ter levado a sério o que eu disse sobre instabilidade climática. E o sol estava tão forte quando eu saí de casa que nem com casaco eu estava, imaginem.

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A volta para casa no metro cable foi assim em ambos os dias: extremamente nebulosa. Parecia que estávamos sendo engolidos por uma nuvem, porque em dado momento não enxergávamos mais nada ao nosso redor. Era assustador e angustiante, só que de uma forma muito legal também. Como se estivéssemos num mundinho alternativo. 

E ah! O custo para participar da rede comfama é de cerca de 20.000 COP. Você encararia esse desafio? Para ver mais fotos é só visitar meu flickr, algumas imagens desse lugar também estão no vídeo que eu fiz de Medellín logo mais abaixo.



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Escrito por: Lisete Reis


 

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