27 de outubro de 2017

A noite de Medellín: gringos, reggaeton e club colombia

Medellín ♡

Vocês já sabem algumas boas alternativas para conhecer a noite de Medellín na época do natal, como visitar os alumbrados navideños e assistir ao desfile de mitos y leyendas, mas há lugares atemporais que movimentam a cidade até o dia amanhecer em qualquer época do ano.

O bairro mais famoso pelos bares e baladas de Medellín é o poblado, mais especificamente nas mediações do parque lleras e do parque el poblado. Considerada uma das áreas mais nobres da cidade, meus amigos locais a tratam como uma zona de gringos - sim, palavras de um deles! Isso porque ao passar por qualquer esquina de seus arredores, ficamos sujeitos a nos depararmos com um. Sou um pouco suspeita para falar, porque estava inclusa no grupo dos forasteiros e saia na maioria das vezes com o pessoal da AIESEC, que contava com gente de todas as partes do mundo, mas a impressão que eu tinha é que lá se concentrava mesmo todos que fossem de fora e estivessem em busca de um pouco de diversão, ainda que houvessem muitos colombianos também.

Na primeira vez que fui ao lleras, nos encontramos primeiro em frente à uma igreja (que contradição, não é mesmo?) paralela ao el poblado. Muita gente vagava por todas as partes, de um lugar para o outro ou sem rumo mesmo, no meio do parque. Outras pessoas vendiam sua arte, sejam alguns acessórios, porta-copos personalizados ou qualquer outra coisa que vocês possam imaginar, e eu digo qualquer coisa mesmo. Eu estava rodeada de mexicanos, venezuelanos, argentinos, americanos... tanta gente, tanta gente, que em certo ponto eu já não assimilava tão bem quem era de onde. As pessoas iam chegando, conversando abertamente e tudo foi uma novidade nesse primeiro momento, ainda que fossemos todos da AIESEC, porque nem todo mundo trabalhava junto ou já havia se visto.

Quando resolvemos sair da calçada em que estávamos por um tempo, esperando que todos se encontrassem naquela primeira semana na cidade, caminhamos em busca de algum lugar para ficar, passando por uma rua repleta de luzinhas de natal e uma arara enorme desenhada na escadaria principal do parque. Haviam baladas pagas, comidas de rua, restaurantes caros, pubs e havia o chupitos, nome do lugar que resolvemos fechar naquela noite, praticamente. Estávamos num grupo tão grande e o bar era tão pequeno, que ocupamos quase todo seu espaço.

Não precisamos pagar nada, mas as bebidas eram tão caras que pareciam ter alguma taxa inclusa. A única outra brasileira no lugar era a Manu e já nos dávamos muito bem aquela altura, estávamos até curtindo o reggaeton que tocava e o clima de confraternização entre o pessoal, mas resolvemos voltar rapidinho para o lugar em que fomos primeiro, porque brasileiras de verdade não se deixam ser enganadas, né não? Vimos várias pessoas comprando uma club colombia por 2.000 COP em depósitos fora dos bares enquanto lá elas estavam sendo vendidas por 8.000 COP.

O problema foi que ficamos desfilando alguns momentinhos com nossas garrafas pelas ruas do lleras, tempo suficiente para que dois guardas - muito altos e muito bonitos, por sinal - aparecessem dizendo que não era permitido beber nas ruas da cidade e que, por favor, nos dirigíssemos a outro local. Passar vergonha internacionalmente: feito. Voltamos ao chupitos pensando que seríamos barradas por lá também, mas um segurança do tamanho de um guarda-roupa só pediu nossa identidade e nos deixou entrar, com as bebidas de um outro lugar mesmo: a melhor coisa que poderíamos ter feito.

Pelo menos foi o que eu pensei, até tocar chorando se foi em português e o pessoal começar a gritar "BRA- SIL! BRA-SIL! BRA-SIL!" direcionando seus olhares entre mim e a Manu, as duas brasileiras mais tímidas que poderiam estar naquele grupo de pessoas. 

Voltei lá algumas outras vezes com pessoas diferentes e conheci outros lugares interessantes, como o berlin, um pub que foge um pouco da proposta noite típica e puxa mais para o lado da música indie e  do rock alternativo, que eu também amo, e a babylon, uma balada que funcionou como nossa festa de despedida no fim de todos os projetos, lá para o fim de janeiro. 

A noite foi muito divertida naquele dia, o pessoal da AIESEC fechou o andar de cima só para a gente, mas confesso que esse foi o lugar que eu menos gostei. Ele é do tipo enorme, um formigueiro de tão cheio, e não cobra a entrada de mulheres só para atrair os homens a pagar caro. Eu realmente só fui pela ocasião, mas ele é uma das baladas mais famosas de Medellín e eu até admito que o repertório musical deles é bem legal, porque foge do padrão reggaeton que eu vinha escutando sempre e apostava em outros ritmos também, como a bachata e a salsa

Como a maioria do pessoal lá dentro era de fora, ninguém sabia dançar muito bem, então estávamos todos no mesmo barco! Os poucos colombianos com a gente nos ajudaram, o que acabou sendo engraçado, porque já nos conhecíamos, mas esse não foi o caso de um outro dia em que o pessoal esteve lá. Eu tive um compromisso na noite em questão, mas fiquei sabendo que alguns homens não foram dos mais educados ao convidarem as meninas para dançar. Alguém apenas stop esses machos, pelo amor de deus. Eles se proliferam em qualquer parte do mundo, infelizmente.

Mas para resumir, as noites do lleras tanto podem ser bem tranquilas, porque lá também tem cafeterias super legais - sobre as quais falarei depois -, cantinas de massa e balcões de cachorro quente, quanto podem ser agitadas, daí as pessoas costumam chegar mais tarde ou esticar a noite depois da calmaria, tudo depende do que você prefere e com que tipo de grupo você está. O lugar é bem seguro, há policiais por todas as partes, e pode ser bem econômico se você souber o que evitar e dar algumas boas voltas. Como sou mais de observar e conhecer o ambiente do que me embebedar, todos os dias funcionaram bem para mim, inclusive, vocês já sabem meu histórico com cerveja - odeio, uma pena que ela seja a coisa mais barata. Aquela que comprei com a Manu terminou a noite nas mãos da Santiago. Eu vivo para me iludir, sim senhores.

Todos esses lugares que eu falei ficam bem próximos à estação poblado, o único problema é que a subida de lá até os parques é bastante longa. Eu sempre preferia pegar um ônibus para ir, que sai de um local bem em frente à estação e basicamente vira a esquina e segue reto até a igreja. Mas para voltar é muito tranquilo caminhar até o metro, o chato é só que, dependendo da hora, a linha não estará mais funcionando. Elas encerram muito cedo em Medellín, cerca de onze da noite, então eu optava por chamar um uber mesmo ou um táxi, dependendo da boa vontade da minha internet ou do que as pessoas que fossem dividir comigo combinassem.

Fora do lleras, posso citar um lugar incrível, mas bem, bem distante, chamado mahalo. Ele é um bar/restaurante muito good vibes localizado no extremo mais alto do município de Envigado, que faz fronteira com Medellín. Eu já morava em Bello nessa época, então praticamente atravessei duas cidades de uber, parecia que não chegaríamos nunca. A nossa sorte foi que só nos custou uns 20.000 COP para dividirmos entre todos e que o rapaz dirigindo não era um bandido perigoso, porque nos metemos num ponto tão alto nas montanhas que, em certos momentos, só enxergávamos neblina. Mas é questão é: valeu a pena.

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A vista do restaurante era maravilhosa, dava pra ver a cidade de um jeito tão bonito e diferente dos pontos turísticos que eu vi até então. Fomos lá para comemorar o aniversário de um amigo colombiano e ele estava com outros conhecidos numa parte que começava a se consumir pela névoa, o que nos fez recuar um pouquinho, mas o ambiente era super legal, muito organizado, com uma pegada roots, músicas boas, mesas de billiard, bebidas gostosas, massas, sanduíches e tudo que há de bom. Algo bem local que não teríamos descoberto nunca se não fosse por ele.

Gosto de pensar que não tive arrependimentos durante minha estadia na Colômbia, eu fiz realmente tudo que me deu vontade de fazer. Mas se eu pudesse citar algo que me deixou chateada de ter ido embora sem ter conhecido foram as famosas noites de salsa do centro da cidade. Elas ficam em ruas aleatórias, acho que a calle 70 é uma delas, eu realmente não me lembro mais dos números, mas passei pelos arredores do bairro buenos aires durante o dia e me disseram que é lá que a magia acontece. 

Uma amiga colombiana nos recomendou ir com alguém conhecido da cidade, porque não é dos lugares mais bem vistos, e acabou nos chamando um dia para acompanhá-la, mas eu estava viajando para uma cidade próxima chamada Jardín, o que também foi uma escolha incrível, então não posso reclamar. A zona é popular, dos moradores mesmo, nada de gringos - talvez por isso eu tenha ficado de fora dessa vez. Mas se você tiver a chance de conhecer Medellín, aproveite melhor a salsa por mim. O gostinho que tive em alguns eventos deixou uma ótima impressão. Quando eu voltar, compenso por essa viagem, mas nela o que ficou sobre a noite paisa foram os gringos, o reggaeton e a club colombia mesmo.


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Escrito por: Lisete Reis


 

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