26 de abril de 2017

Como foi a viagem?

Asa de avião no céu

As pessoas costumam perguntar essa frase vazia quando outras voltam de viagem. Não me levem a mal, algumas estão genuinamente interessadas, ela só não me diz muito sobre seu nível de interesse. Você quer saber de verdade como foi ou só está cumprindo uma formalidade? 

Desde que eu voltei para casa, a tenho escutado muito e mesmo se percebo algum descaso da outra parte é inevitável que eu pare inconscientemente e contemple a resposta na minha mente com um sorriso no rosto, porque a mera menção do que eu vivi na Colômbia já enche meu coração de felicidade. Tenho certeza que minha postura muda automaticamente, para tentar expressar o quão incrível foi me aventurar nesse país, eu só não tenho a liberdade de o fazer em muitas ocasiões. Por isso que depois de muito adiar escrever sobre isso, ainda envolta numa esfera de ansiedade e emoção por todas as coisas simples que me fizeram crescer, quero finalmente começar a registrá-las, e regularmente. Minha viagem foi uma sucessão de coisas boas e não se resumiu a um dia, um lugar ou a uma pessoa. Pretendo eternizá-la da melhor forma que conheço.

E eu quero mesmo dizer como foi. Eu quero mostrar. E se possível, incentivar a quem tiver a paciência de parar e me ler por uns instantinhos a viver algo assim ao menos uma vez na vida - ainda que eu esteja certa que ninguém ia querer parar por aí, porque correndo o risco de parecer clichê e exagerada, eu nunca fui tão feliz. Vocês podem sentir a verdade nas minhas palavras daí? 

Infelizmente, já tenho me sentido triste ultimamente, com saudades de ter essa sensação se espalhando pelo meu corpo a cada atitude que eu tomava, todas as vezes que eu abria os meus olhos ao acordar na Colômbia, mas eu não quero me sentir assim ao lembrar de coisas tão boas, quero ajudar a tornar possível outras experiências e quero ter muitas outras por vir.

Antes de viajar, escrevi um post explicando um pouco do que eu estaria fazendo por lá e agora, lendo minhas expectativas e lembrando de tudo, bate um sentimento de satisfação muito grande. Muitas coisas não saíram como eu imaginei, mas me deixar surpreender foi um dos maiores ensinamentos que eu trouxe comigo. Estamos falando de alguém maluca por controle ou não estamos? Mas acreditem, até as surpresas aparentemente ruins me trouxeram algo de bom, sejam amizades novas ou histórias para contar - mescladas com uma grande quantidade de descrença e risadas.

Um livro na janela de um avião
Estranherismo, do Zack Magiezi, me acompanhou nos voos de ida. ♡

Passei um pouco de perrengue para chegar, em conexões de mais de vinte horas passando mal, porque meu organismo é traidor nesse nível, mas isso tornou o chegar em si ainda mais especial. Não importa o que aconteça, acho que nunca vou esquecer meu sorriso de orelha a orelha do aeroporto até a casa da família em que eu ficaria, escutando reggaeton de verdade no carro de desconhecidos, enquanto eles conversavam um espanhol que mais me parecia grego.

Claro que depois veio o receio, mas me arriscar mesmo assim, especialmente quando eu me sentia mais insegura, fez um bem enorme para a minha timidez enquanto eu estive lá. Quando viajamos, especialmente do jeito que eu viajei, sem conhecer ninguém, não estamos presos a nada e viver assim pode ser libertador. Fiz coisas que não sonharia em fazer na minha própria cidade, mas não porque me tornei uma outra pessoa e sim porque me senti à vontade para ser eu mesma.

Paisagem de Medellín vista da estrada

Durante as três primeiras semanas do intercâmbio, eu estive em Medellín trabalhando com as crianças da primeira fundação que a AIESEC me designou e me senti muito querida. Pelas professoras, pelas crianças, até pela diretora. Vocês conseguem imaginar pequenos seres humanos te esperando na porta e correndo para te abraçar, loucos para saber o que você faria com eles naquele dia? E olhinhos brilhando ao ver vídeos de quadrilha junina e fotos do nosso Brasil.

Nada, nunca, vai substituir isso no meu coração, amigos. Quero falar disso especificamente em breve. E sobre as viagens que tive a chance de fazer durante as semanas de folga que tivemos! O Natal e o Ano Novo foram datas, no mínimo, diferentes.

Fiquei duas semanas andando por aí com uma mochilinha que mal cabia meus livros na época do colégio, conheci mais ou menos oito hostels diferentes e passei um frio de congelar o nariz até os dedinhos dos pés, com os 9ºC de Bogotá, e um calor absurdo que me bronzeou em algumas horas de sol, com os quase 40ºC de Cartagena, mas de alguma forma eu consegui encontrar equilíbrio no que muitos chamariam de desequilibrado e tive uma experiência maravilhosa.

Sem falar no tanto de gente incrível que cruzou o meu caminho. Eu descobri que MUITA gente interessante viaja sozinha. E a identificação gera uma energia que não tem explicação. Voltei para Medellín renovada, com uma sensação forte de estar voltando para casa. Ainda trabalhei numa outra fundação, com novas pessoas maravilhosas, e fui morar em outra parte da cidade, o que fez com que eu não me limitasse às mesmas coisas de sempre.

Três pares de pés no chão com flores amarelas

Respondendo a pergunta que levantei no título desse post, minha viagem foi simples, leve e cheia de pequenas felicidades diárias que me fizeram sorrir - e ainda fazem, por meio da lembrança. A Colômbia é um país acolhedor que, tenho certeza, vai conquistar os corações de quem me acompanhar, ao menos até o fim dessa saga.

Ela me fez conhecer lugares lindos em seu território e em mim mesma. Deixo registrada aqui toda a minha gratidão e dou início a uma infinidade de posts sobre a minha experiência! Eu juro que todas as vezes que me dou por satisfeita com os temas sobre os quais devo escrever, penso em um outro tão importante quanto.

• ~


Hagale pues! Me diriam os colombianos. 

Então vamos lá ♡

Lis


Escrito por: Lisete Reis


 

12 comentários:

  1. Eu não sei nem como expressar o quanto de orgulho que ler esse post me deu! Eu amo tanto a pessoa que você se tornou, amiguinha ♥ o tipo de energia que eu quero ter sempre por perto. E quem se importa se eu estou comentando no meu próprio blog? Vou deixar registrada a minha admiração em todos os que virão, pode esperar!

    Ansiosa desde já para ler sobre cada momentinho que você viveu ♥

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    1. LiAMU, MIGA ♡ E também quero cê pertinho! Mesmo passando por situações diferentes, não consigo lembrar de um momento importante em que você não faça parte. A gente cresceu juntas e eu te admiro do mesmo tanto!

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  2. Me identifiquei muito com suas palavras! Eu também já passei pela sensaçao horrível de querer falar tanto de uma viagem que mudou a minha vida, e as pessoas que justamente perguntaram "como foi de viagem?" nao se importaram o mínimo com a minha resposta ou sentimentos... mas enfim, isso me serviu para aprender quem realmente se importa com a minha felicidade e bem estar! E ser capaz de reconhecer isso, apesar de triste, é um dos melhores aprendizados da vida :)

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    1. É verdade, Ana! E hoje em dia, além de poucas pessoinhas curiosas e especiais presentes na minha vida, já não me importo tanto com ~ quem ~ me escuta, desde que eu consiga espalhar um pouco do que eu aprendo de bom por aí, sabe? Por isso que esse blog é meu cantinho feliz! Se por acaso você voltar aqui, quero muito saber qual viagem mudou sua vida. ♡ Muito obrigada por comentar e me fazer sentir compreendida, que bom que você se sentiu da mesma forma :)

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  3. Como me identifiquei com o começo do texto, quando as pessoas perguntam mas não querem saber a resposta, e aí eu penso mentalmente igual vc..
    Consegui sentir de verdade seu sentimento de felicidade, e entendo completamente quando vc diz que se sentiu livre, se sentiu a vontade para ser vc mesma ..
    Acho que o mais legal do seu texto é como você mostra que a felicidade está não só no lugar mas sim nas pessoas que vc conheceu nele!
    Lindo texto

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    1. Muito obrigada, Taísa! Que maravilhoso ler algo assim, de verdade. ♡ E acho que a felicidade é isso mesmo, esse conjunto de coisas que se combinam perfeitamente em algum momento: as pessoas com quem você está, os lugares que você conhece e seu estado de espírito. E uma vez que você experimenta essa alinhamento do universo, como querer parar?

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  4. Viagens especiais assim deixam marcas profundas que nem todos entendem. É difícil explicar e também é difícil compreender. O importante é que faça sentido para vc.

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    1. ♡ ♡ ♡ Com certeza, viu? Sempre vou amar compartilhar histórias e esperar que as pessoas se sintam inspiradas de alguma forma, mas o que a gente vive é único nas nossas memórias, não tem jeito.

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  5. Excelente texto! Infelizmente hoje em dia são raras as pessoas que realmente perguntam sobre sua viagem com intenção de ouvir a verdade. Difícil né? Por isso o mais importante é sempre o que vivemos!

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    1. Muito obrigada, Ana. ♡ E é isso aí, mesmo que a gente não esclareça para outras pessoas, se a resposta vier clara nas nossas mentes e estivermos seguras do que vivemos, é isso que importa. Além do mais, sempre podemos compartilhar histórias com quem nos identificamos, sejam conhecidos ou não. :)

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  6. conta tudo pra gente que vou amar ler!! ainda mais da colombia, que conheço tão pouco! e sobre esse perguntar sem tanto interesse, quem dera se fosse só para viagens né? ultimamente muita coisa ta indo só no modo automático :(

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    1. ♡ ♡ ♡ Que linda, Lorraine. Vou contar sim, pode deixar! Foi um país que me encantou tanto. As pessoas não o valorizam muito, mas quero mudar essa imagem da forma que puder. E é verdade o que você disse sobre o modo automático, muito triste também. Só nos resta tentar começar a mudar isso no nosso meio. :/

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