11 de maio de 2015

Jane Eyre | Resenha

Gostando de clássicos como eu gosto, apesar de ter lidos poucos fiquei, no mínimo, curiosa por Jane Eyre. Eu realmente não conhecia até que ele foi recomendado por uma leitora aqui do blog (obrigada, Mariana!) e a época coincidiu com o lançamento de uma edição MUITO bonita da Martin Claret

Multiplique minha empolgação por infinito quando peguei o livro em mãos, porque gente, ele é ainda mais maravilhoso do que parecia. Super grosso, sim, do tipo que até te deixa com as mãos cansadas durante a leitura, afinal são mais de 700 páginas, mas com uma diagramação tão boa que você esquece esse detalhe. (Ou pelo menos não se importa tanto assim.)

A personagem que dá nome ao livro narra sua história de forma bem peculiar: através de uma conversa com o leitor. Desde sua infância sofrida na casa de sua tia Reed, já que era órfã, até seus primeiros momentos na escola que foi enviada, penamos com a trajetória de Jane, mas, a medida que vai crescendo, ela faz amizades e desenvolve suas habilidades. Então, toma a decisão de finalmente explorar a sociedade, o que nunca lhe foi permitido antes.  

Para isso, precisa de um emprego e logo o consegue como professora de Adele, protegida do Senhor Rochester em Thornfield HallDurante todo o livro, ela é claramente um símbolo feminista, sempre buscando sua independência financeira, mas sem abandonar os prazeres domésticos, como arrumações, pinturas e novos aprendizados. Ela e Edward Rochester protagonizam diálogos diretos e sinceros, coisa que um aprecia muito no outro. 
  
"Uma paixão ardente e respeitosa está guardada no meu coração. Ela se inclina para você e traz para o centro de mim e para a minha fonte de vida, envolve minha existência ao seu redor, e uma chama pura, brilhante e poderosa nos funde um ao outro para formar um só ser."

Sou suspeita para comentar, mas essa linguagem faz o relacionamento parecer mais intenso. Não é amor à primeira vista, nem é rápido e simples. Na verdade, muito pelo contrário, mas insinua algo verdadeiro, que se constrói aos poucos, sem preconceitos em relação à riqueza, beleza ou idade. 

Contratempos complicam o envolvimento dos dois e forçam conflitos, mas Jane mostra que seu amor próprio se sobressai e faz isso sem diminuir seus outros sentimentos. A submissão total me irrita em alguns livros, então simpatizei com ela e com o romance construído numa época tão patriarcal.

"O senhor pensa que eu posso ficar para me tornar um nada para o senhor? O senhor pensa que eu sou um autômato? Uma máquina sem sentimentos? E que possa aguentar que tirem a migalha de pão dos meus lábios e a gota d’água da vida de minha taça? O senhor pensa que por eu ser pobre, sombria, simples e pequena, não tenho alma ou coração? Se pensa, está enganado! Tenho tanta alma quanto o senhor. E um coração ainda maior!"

Outro ponto bastante abordado no livro é a religião, a qual Jane ia de encontro vez ou outra, mas rodeada por uma doutrina tão firme, ia deixando a ideia mais forte em sua cabeça em várias ocasiões. Costumo achar que ninguém deve impor crença a outra pessoa, porque isso é algo bem particular, mas gostei do modo de abordagem por ser, pelo menos do meu ponto de vista, crítico quanto a isso, de forma implícita. 

Escrito séculos atrás, mas de fácil compreensão, Jane Eyre trás ensinamentos de caráter feminista para a atualidade. Acredito que só não dei uma pontuação maior pelo prolongamento da história que, mesmo com o bom trabalho da editora, acaba cansando o leitor um pouquinho.



Escrito por: Lisete Reis


 

4 comentários:

  1. Eu amo Jane Eyre mais que qualquer livro que já tenha lido, até mais do que orgulho e preconceito, não sei, esse é mais ardoroso, confesso que foi também o livro que mais demorei a ler, sério mesmo, acho que umas 3 semanas, e não acho o livro tão grande assim. Mas realmente a partir da leitura dele eu passei a me interessar muito pela escrita da autora, tanto é que acabei comprando Shirley.
    Gosto muito da personalidade de Jane e seus dialógos com Rochester são realmente de tirar o folêgo.
    bjs

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    1. Renata, acho que nossa demora se deu pelo prolongamento da história. Acontece tanta coisa! Não dá tempo de construir uma expectativa exatamente, porque logo há outros acontecimentos a se considerar. Mas eu também gostei muito da escrita da autora, dos personagens... Vou procurar sobre o livro que você comentou e ver se me interesso! Clássicos são maravilhosos e é ótimo descobrir uma forma de abordagem que agrade. <3 Beijo e obrigada por compartilhar sua opinião.

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  2. Jane Eyre... Ah Jane Eyre!

    Gente que felicidade voltar aqui - depois de 413848574 anos - (a faculdade acaba com tudo que a gente gosta haha) e ver que você leu o livro!

    É meu livro favorito na gênero romance. Lembro que quando eu li ele pela primeira vez eu devia ter uns 15 anos, e foi a melhor decisão da minha vida. Lembro que nessa mesma época eu não entendia quando assistia um filme (ou lia um livro) em que a personagem principal falava que lia o mesmo livro todo ano. Depois de Jane Eyre eu entendi, haha. Leio ele todo santo ano! E cada vez que eu faço eu descubro algo novo, principalemente em mim. As 700 e tantas páginas nem me incomodam (apesar de ter a pocket edition). Eu nunca achei o livro cansativo, mas acho que é por causa do meu estilo de leitura. Estava assistindo um vídeo no youtube esses dias em que a pessoa disse que achava a leitura de Senhor dos Anéis cansativa e eu fiquei tipo: whaaaaat!? Mas ai eu parei para refletir que era obviamente só uma questão de perspectiva mesmo.

    Fico feliz que tenha gostado de verdade, sempre que alguém me fala que gosta de romance de época eu indico. Acho que o livro é de uma profundidade raramente encontrada nos romances de hoje.

    Aproveitando a deixa eu indico um livro da Julia Quinn (in love com os livros dela), Secret Diaries of Miss Miranda Cheever. Não sei se já tem no BR, eu li em inglês mesmo e se você sabe inglês eu super indico!

    Beijoos

    P.S.: O que é essa edição nova!!! Simplesmente maravilhosa. Mas até que eu gosto do meu miudinho hahaha

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    Respostas
    1. Estou tão feliz com o seu comentário!! ♡ Obrigada mesmo, Mariana! Pelo seu retorno aqui (menina, como você veio parar nesse post? hahaha), pela dica de livro e por conhecer um pouquinho da sua relação com ele. Eu acho incrível quando as pessoas criam laços com as histórias e não as esquecem depois que as leram pela primeira vez. Isso é tão legal! Fico com vontade de reler alguns dos meus livros aqui, mas meio relutante, achando que estou me privando de ler algo novo no lugar da releitura, sabe? Mas sei que preciso parar com isso, não é mesmo nada fácil encontrar livros com esse tipo de profundidade. No caso de Jane Eyre, tenho certeza que me surpreenderia, como se não o conhecesse, se eu fosse reler. Ele tem muuitos detalhes pra absorver! E olha, essa edição que eu comprei é mesmo linda, mas imagino que a sua tenha lá o seu charme, sem falar que não te cansa os braços, né? haha

      Da Julia Quinn, eu já li O Duque e Eu. Te confesso que não gostei tanto quanto imaginei, pelo tanto de coisa boa que escutei por aí, mas não conhecia esse título que você disse! Vou procurar, até porque estou mesmo precisando praticar meu inglês. Nunca mais li nada de outra língua, que vergonha.

      Muito obrigada novamente, viu, Mariana? Eu gostei mesmo da dica. Beijão! :)

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