22 de janeiro de 2018

Feira de pulgas de Usaquén, Parque Simón Bolívar e peripécias pela zona T

Parque de la 93, Bogotá • COL
 vinte e cinco de dezembro de dois mil e dezesseis

Imaginem duas pessoas perdidas, sonolentas e de corpo dolorido, éramos eu e a Lê na manhã de natal daquele ano. A gente se olhava com expressões tão desoladas, ainda no quarto do hostel, que dava até vontade de rir de repente. Acordamos um pouco mais tarde, para descansar melhor, mas descemos a tempo de tomar café da manhã e decidir o que fazer.

A noite fora longa e nossa viagem estava sendo muito intensa até ali, mas nós queríamos tornar nosso dia produtivo e conhecer melhor a cidade, então resolvemos caminhar pelo bairro em que estávamos, uma opção mais light para esse dia meio estranho, em que não sabíamos o que estaria aberto ou não.

Parque de la 93, Bogotá • COL

Nossos amigos do hostel resolveram conhecer a candelaria, que foi nosso primeiro programinha na cidade, então acabamos nos separando deles por alguns momentos. Éramos só eu, a Lê, algumas folhinhas voando pelo ar e um ou outro carro passando na rua. A cidade parecia adormecida.

Mas isso não foi um problema, ainda mais porque nos deparamos com várias ruas fofas e conhecemos a badalada zona T - famosa pelos bares, restaurantes e lojas chiquetosas - na maior tranquilidade, quando a maioria dos locais estavam fechados. Ela ganha esse nome pelo formato que a área tem, fechadas para carros em todas as três extremidades.

Parque de la 93, Bogotá • COL

Continuamos caminhando por um tempo e chegamos até o parque de la 93, um lugar super bonitinho que eu vi em algum cantinho dessa internet e que conseguimos conhecer graças às indicações do pessoal do hostel - mais uma vez.

Ainda que simples, achei esse um lugar encantador em Bogotá para perceber um pouco do cotidiano dos moradores, passeando com seus cachorrinhos, comendo algo pelo gramado, lendo ou se reunindo para conversar nos arredores.

Eu e a Lê dividimos um saco de batatinhas - nossa principal refeição enquanto viajamos, sim senhores - e relaxamos lá por um tempo, curtindo o ambiente. Uma das coisas que eu mais amava na nossa amizade repentina era a facilidade que tínhamos em nos adaptar aos locais e aproveitar cada momentinho, como se eles fossem incríveis à sua maneira. 

Parque de la 93, Bogotá • COL

Um detalhe que, pra mim, fez toda diferença, foram as mesinhas coloridas espalhadas ao redor de uma banca de livros, onde, aparentemente, você pode escolher algum para ler ou algo do tipo. Ela estava fechada, o que é totalmente compreensível para uma manhã de natal, mas achei aquilo muito adorável e fiquei imaginando como seria legal morar ali por perto.

Eu amo que tanto em Medellín quanto em Bogotá eu tenha encontrado cantinhos de incentivo à leitura. Eles só as fizeram subir no meu conceito.

Parque de la 93, Bogotá • COL

Continuamos nosso passeio até um ponto de ônibus mais afastado, onde a Natália - recepcionista do nosso hostel - nos disse que poderíamos pegar um até o mercado de pulgas de usaquén, um lugar em que vendem todo tipo de coisas antigas e interessantes, sempre aos domingos, mesmo em época de festas.

Como aquele era um domingo, a coincidência nos pareceu até um sinal para conhecermos mais um lugar legal na cidade antes de irmos. O que não pareceu um sinal foi percebermos que nosso cartão do transporte público da cidade estava zerado e que não havia um posto de atendimento próximo para colocarmos créditos.

Ainda tentamos entrar na linha de ônibus que nos levaria até usaquén, mas o motorista - muito gentilmente, se é que isso é mesmo possível diante das condições - não nos deixou passar, nem mesmo pagando em dinheiro.


Escrito por: Lisete Reis


 
20 de janeiro de 2018

Três vezes São Paulo

Há mais ou menos sete meses, passei algumas madrugadas pesquisando passagens e hospedagem para alguns dias em São Paulo com a Lis. Era junho, nós estávamos de férias da faculdade, e tudo encaixou para que a gente pudesse fazer a nossa segunda viagem juntas.

decolagem no aeroporto dep. luís eduardo magalhães, em salvador, depois de uma conexão inesperada

Organizamos tudo, e a dinâmica ficara a seguinte: a Lis chegaria em São Paulo na quinta de manhã, eu e Jess na sexta de manhã, logo encontraríamos com o meu cunhado, noivo da Jess - que atualmente está estudando lá - e depois, no sábado, com o irmão da Lis, que iria fazer uma prova de concurso. Em seguida, no domingo, iríamos todos seguir viagem para Campos do Jordão. Porém as coisas não saíram exatamente como o planejado.

Pelo menos não a parte em que eu e minha irmã chegaríamos na sexta de manhã. Por um motivo muito corriqueiro para algumas pessoas, mas não para nós, que sempre fomos extremamente organizadas com esse tipo de coisa. Nós perdemos o voo. Foi extremamente frustrante e fiquei perplexa por ter conseguido ser tão descuidada daquela forma, e o sentimento só aumentou quando o atendente da Avianca, companhia aérea pela qual viajamos, foi um completo idiota e nada gentil ao lidar conosco. Uma situação que já era ruim conseguiu ficar pior.

Depois de muito conversar com outra funcionária — que foi mais amigável, pelo menos — descobrimos que a nossa única opção seria um voo que sairia às 12h14, com uma conexão em Salvador. Nosso voo original era direto, às 6h30. E nós o perdemos por causa de menos de cinco minutos. Esse foi o dia em que eu compreendi, de forma literal, a expressão que afirma que tempo é dinheiro. E também foi o dia em que decidi que, se tiver opção, nem tão cedo voarei pela Avianca outra vez. 

o alívio de finalmente ver a pista do aeroporto internacional de guarulhos

guarulhos, sp
23 jun, por volta das 17h

Chegamos em São Paulo apenas 7h depois do planejado, quando a luz do dia já estava indo embora. Depois de uma pausa para descansar um pouco do dia extremamente estressante e para carregar nossos celulares, partimos na missão de encontrar o local de onde saem os ônibus para o metrô tatuapé — que fica em frente ao shopping de mesmo nome, nosso ponto de encontro com o Kleiner.

Com a ajuda da Lis e de um funcionário do aeroporto, logo encontramos o ônibus e o longo percurso que ele faz nos permitiu descansar ainda mais para o rojão que viria a seguir: metrô paulistano na hora do rush. A ajuda do Kleiner com nossas malas foi muito bem vinda, porque eu juro que não sei como encontrava forças para andar tanto e tão depressa, em meio às várias baldeações que precisamos fazer para enfim chegarmos ao nosso destino: a vila madalena.


kéra smart hostel
vila madalena, sp
23 jun, por volta das 20h

Encontrar o hostel foi a parte mais fácil do dia. Logo descobrimos que ele era simples, mas ainda assim aconchegante. Foi a minha primeira experiência com esse tipo de acomodação e achei tudo muito tranquilo — e, nesse caso, a localização praticamente ao lado do metrô só contou pontos positivos.

Entramos e logo uma moça veio nos receber. Enquanto eu fornecia os meus dados de forma um tanto eufórica, ouvi passos descendo os degraus da escada localizada bem ao lado da recepção. Não demorou muito para eu reconhecer o aconchego na forma de moça bonita — depois de um dia tão exaustivo psicologicamente, ver o rostinho da minha melhor amiga fez todo o estresse virar fumacinha. Não é que aquele papo é verídico? Aquele papo de que lar às vezes é uma pessoa e não um lugar. Bem, eu posso comprovar.

O fato é que: eu não estava cansada psicologicamente apenas por todo o inconveniente de ter perdido o voo. Essa viagem aconteceu em um momento não muito bom da minha vida, em que eu estava extremamente vulnerável a todo tipo de sentimento ruim. Esses dias fora foram uma tentativa de espairecer, e mesmo isso eu tinha conseguido transformar em algo estressante. A frustração tomava conta de mim sempre que eu me permitia parar para pensar. Por essas e outras que eu posso afirmar o quanto a presença da Lis me confortou naquele momento.

Kéra Smart Hostel | Vila Madalena, São Paulo

Eu e Jess a seguimos para o nosso quarto, no momento compartilhado com outras duas meninas: uma de Porto Alegre e a outra de Manaus. Guardamos nossas coisas e partimos para a missão seguinte, que era encontrar algo para comer.

Kéra Smart Hostel | Vila Madalena, São Paulo
coisas boas acontecem aqui

A Avianca até melhorou no meu conceito depois de servir sanduíches muito bons durante os voos — sou facilmente comprável com comida, sim. Mas mesmo eles não conseguiram segurar a minha fome por tanto tempo, então fomos andando até uma hamburgueria ali perto, que a Lis encontrou pelo ifood: a primata.


primata wings & burguers
vila madalena, sp
23 jun, por volta das 21h

Estava frio lá fora. Pelo menos para três meninas acostumadas às temperaturas do inverno bem mais ou menos do nordeste (à essa altura, já tínhamos nos despedido do meu cunhado). Mas mesmo isso não nos desanimou para ir em busca do nosso merecido lanche, então logo encontramos a Primata e escolhemos o que íamos pedir — pra viagem, porque os lugares no interior do local estavam todos ocupados e não tinha a menor chance de ficarmos ali passando frio pela próxima hora. 




Demorou um pouco, mas valeu a pena: nossos pedidos vieram todos muito bem embalados e organizados, recebemos um atendimento super simpático dos rapazes que trabalhavam no local e ainda rolou um desconto inesperado na conta. E a comida, como constatamos depois, estava maravilhosa. Finalmente um pouco de sorte nesse dia estabanado. 

De volta ao hostel, tomei um banho bem quente e me preparei para dormir, ouvindo os sons da maior capital do país ultrapassarem a janela fechada e invadirem o quarto. E através deles finalmente me dei conta de que estava lá mais uma vez, que tudo tinha dado certo afinal. Não o clima frio, não o caos do metrô ou as pessoas apressadas falando ao telefone em seus sotaques carregados de erres. Mas os sons que persistem mesmo no mais silencioso dos locais e sinalizam que aquela cidade nunca dorme. Eles sim. 

Mentalizei uma, duas, três vezes. Três vezes São Paulo. Era a minha terceira vez em solos paulistanos, e eu iria fazê-los valer a pena. 




Com amor, 
Jen




Escrito por: Jennifer Macieira


 
18 de janeiro de 2018

Meu natal em Bogotá e a Republica Hostel

República Hostel Bogotá, Bogotá • COL

Oi, gente! Estou muito em falta com os posts da Colômbia, eu sei. Já faz mais de um ano que voltei de lá e eu ainda tenho muito conteúdo para mostrar, mas vou continuar persistindo, porque quero registrar de alguma forma momentos bem legais que eu vivi e dicas que podem ser de grande ajuda para quem vai visitar o país. Espero que ninguém aí esteja cansado de mim!

Hoje eu quero falar um pouquinho sobre meu primeiro natal fora de casa, no ano de dois mil e dezesseis, e sobre o hostel maravilhoso que eu e a Lê tivemos a sorte de encontrar para a nossa passagem por Bogotá, duas coisas que estão muito ligadas para mim.

Primeiro, saibam que o hostel é muito bonito visualmente, bem localizado, os funcionários foram prestativos com a gente e a cereja do bolo é que ele bem baratinho mesmo. A gente gastou cerca de quarenta reais por noite, cada uma. Na moeda local, 35.000 COP.

Para vocês terem uma noção, esse foi o menor valor que gastamos em hospedagem durante toda a viagem - chegamos a gastar até 100.000 COP num hostel em Cartagena - e foi o lugar que eu mais gostei, ainda que cada local que a gente tenha ficado tenha algo a seu favor.

República Hostel Bogotá, Bogotá • COL

Além do visual minimalista que me deixou apaixonada e que vocês podem conferir em algumas fotos que vou espalhar pelo post (gostaria de ter tirado mais!), os funcionários da Republica Hostel Bogotá provavelmente foram os principais responsáveis por eu ter ficado com uma impressão tão boa de lá.

Acho que nunca falei tanto o nome de uma pessoa num curto período de tempo como eu falei o do Álvaro, recepcionista durante boa parte das vezes que eu e a Lê passamos pela entrada do hostel. Ele foi a razão de termos conseguido chegar em absolutamente todos os lugares que queríamos durante nossa estadia gastando pouco, desenhando mapas com trocas de linhas de ônibus, pontos de referências, baldeações, entre outras coisas que precisássemos. A Natália também nos ajudava muito. Ela costumava ficar no turno da noite, quando geralmente estávamos pensando no que faríamos no dia seguinte.

Tudo bem que eles podem nem trabalhar mais lá agora, mas se o hostel manteve o padrão, eles estão muito bem de pessoal. ♡

República Hostel Bogotá, Bogotá • COL

A área do café da manhã é super aconchegante - a da primeira foto do post! - e nós ficamos ali por várias noites depois que voltávamos dos nossos passeios, só para descansar e conversar com o pessoal.

Apesar do hostel contar com um bar, ele não teve nenhum movimento durante o tempo em que ficamos e a impressão que eu tive foi que eu não poderia ter encontrado lugar mais tranquilo! Tudo que eu poderia querer depois de vários dias batendo perna por aí.

O café da manhã em si é super organizado e gostoso. Você pode escolher entre duas opções que eles disponibilizam no menu do dia e assinar o seu nome ao lado com a opção correspondente, que eles vão te servir logo logo. Diante do frio da cidade, foi lá que eu comecei a tomar bastante café. A primeira opção sempre tem alguma fruta, ovos, bolinhos, pães e geleias. Já a segunda é mais light, com algum tipo de yogurt, mas já dá para ficar satisfeito. Eles foram gentis o suficiente para servir a mim e a Lê em plena cinco da manhã no nosso último dia de hospedagem, porque tínhamos que pegar um avião para Santa Marta logo cedo.

República Hostel Bogotá, Bogotá • COL

O meu quarto e o da Lê era para ser compartilhado entre seis pessoas, como é comum nesse tipo de hospedaria, mas quando chegamos só tinha uma pessoa junto da gente, o que facilitou bastante a dormida, ainda mais porque ele virou nosso amigo e sempre saíamos juntos. Apenas nos últimos dias dividimos o quarto - e o banheiro, tristemente - com outras pessoas, mas já estávamos praticamente de saída. Além disso, chegaram dois brasileiros, então não tinha como nos sentirmos deslocadas.

As acomodações são quentinhas, o que faz muita diferença por causa do clima frio da cidade. O único ponto negativo foi que só desvendamos o mistério do chuveiro elétrico no último dia da nossa passagem por lá! A água era tão quente que chegava a queimar a pele e ficava toda espalhada. Então, quando o Jazz - nosso amigo do qual falei - praticamente arrancou algo de lá e fez ele funcionar direito, lamentamos que já estávamos indo, porque era a única coisa que faltava para ficar perfeito.

Outra coisa legal é que ele fica numa área muito privilegiada da cidade, próxima da Zona T, onde existem diversos restaurantes, bares, lojas e parques conhecidos. Saímos andando várias vezes por lá e achamos tudo muito prático.

Se você planeja visitar Bogotá, anota aí que esse é lugar muito aconchegante e recomendado por mim! ♡ Juro que ninguém está me pagando nada para fazer publi. Queria eu, viu?

meu natal de dois mil e dezesseis ✨

Íamos passar a noite de natal lá mesmo, porque não fazíamos ideia do que estaria aberto na cidade, mas o Álvaro nos disse que não ia ter nada especial, nem mesmo um jantar, então nos recomendou ir até um outro hostel nas proximidades do nosso, onde um brasileiro estava prestes a fazer um churrasco.

O grupo que vocês conheceram - ao menos pelos nomes - no post sobre Zipaquirá nos acompanhou e fizemos a festa lá mesmo. Gostei do lugar de cara por causa desse letreiro maravilhoso na entrada. Acabou que tinha pouca gente lá e nós nos aproximamos de todo mundo para conversar, jogar - ou tentar jogar - billiard e dançar um pouquinho.

Ao contrário do hostel em que nós ficamos, esse aqui não parecia ser nada calmo, o que pode ser legal para dar uma passadinha como nós demos, mas para dormir não deve ser tão bom, né? Imagina tentar ao som de alguns funks brasileiros, que trataram de colocar. Mesmo assim, eles foram muito legais e a noite foi muito animada. Agarrei amor numa senhora que estava hospedada lá com seu marido. Naquela noite, ela foi uma de nós, não importa quantos anos tivesse.

meu natal de dois mil e dezesseis ✨

Esse foi meu primeiro natal fora de casa e acabei não vivenciando o típico natal da família colombiana, mesmo que eu tenha tido algumas prévias em Medellín, mas a verdade é que não me senti triste, nostálgica, nem nada do tipo. Estava feliz e descobri, pela primeira vez na prática, que lar é onde nosso coração está. Tive a sorte de encontrar pessoas que me proporcionaram uma sensação boa de compreensão e companheirismo e eu não poderia desejar nada melhor do que isso.

Algumas pessoas desse hostel terminaram a noite em baladas ou em algo parecido, mas nosso grupinho da republica voltou para lá madrugada adentro e jogou conversa fora pelo resto da noite, comendo uns snacks que encontramos na recepção. Eu entendi ali que a gente não precisa de muito para ser feliz. Nem de tradições, as quais eu era tão apegada.




Republica Hostel Bogota
Cra. 12 #68-28, Bogotá, Colômbia

* Para reservar e conhecer melhor o hostel é só clicar no link acima. Você não paga nenhum valor a mais por isso e ajuda o blog a continuar produzindo conteúdo, através de uma pequena comissão. (Mas só estou recomendando porque gostei de verdade, tá bom? )


para mais hospedagens na colômbia

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Escrito por: Lisete Reis


 
16 de janeiro de 2018

Conhecendo Zipaquirá e a catedral de sal

Zipaquirá • COL

Depois de um dia maravilhoso na candelaria, resolvemos conhecer a tão famosa catedral de sal situada na cidade de Zipaquirá, a menos de duas horas de Bogotá. Considerada a primeira maravilha turística da Colômbia, ela tem o incrível diferencial de ter sido construída sob uma mina de sal, onde mineiros da década de 50 sentiram a necessidade de consagrar sua fé em meio ao desgaste diário.

Pela distância e pelo preço nada amigável, pensamos direitinho se valia a pena ir até lá, mas todos que tínhamos conhecido no país até ali nos recomendaram a visita e a publicidade turística de lá era muito forte por onde quer que nós fôssemos. Nos rendemos. E levamos conosco três amigos que fizemos no hostel em que estávamos hospedados. Um britânico, uma argentina e um brasileiro. Jazz, Pam e Henrique. O mais legal é que eles estavam sozinhos e dispostos a fazer qualquer coisa possivelmente interessante.

Zipaquirá • COL

Enquanto eu e a Lê tentávamos entender como faríamos para chegar até lá, eles apareceram do nada perguntando para onde iríamos naquele dia e, de repente, estávamos todos juntos andando pelas ruas de Bogotá até a estação de ônibus mais próxima. E imaginem a confusão de idiomas, porque o Jazz só falava inglês e nem o Henrique nem a Lê entendiam nada, mas energia positiva e boa vontade é tudo o que é necessário às vezes.

Chegamos ao terminal norte, de onde saem os ônibus para cidades próximas, rapidinho. Se eu não me engano, gastamos cerca de 8.000 COP cada um - uma parte para pegar o transmilênio até lá e outra do terminal até Zipaquirá. O caminho foi super tranquilo e quando nos demos conta, já estavam nos mandando descer. Pedimos para o motorista nos avisar quando fosse o momento do nosso destino, já que ele teria várias outras paradas, então ele o fez. O chato foi só que descemos um pouco longe do centro da cidade e da catedral, mas resolvemos ir andando assim mesmo.

Toda a caminhada que nunca fiz em casa, acreditem, eu fiz nessa viagem. 

Zipaquirá • COL
essa ainda não é a catedral de sal, gente! hehehe

A parte boa foi que descobrimos que Zipaquirá é um charme à parte, independente da existência da catedral. Suas ruas são coloridas, como uma típica cidade do interior colombiano, e muito bonitinhas, com muitas plantas e construções antigas. Seguimos firmes até a catedral com esse consolo. Quando ficamos realmente cansados, perguntamos pelo caminho e nos disseram que só faltavam uns vinte minutos de caminhada, então continuamos assim mesmo.

Tenho certeza que a Pam e o Jazz ficaram nos achando meio loucos, mas acabou sendo divertido, ainda mais porque o Henrique estava numa busca incessável por algo quentinho - e barato - e nós entramos em várias lojinhas locais. O maluco saiu de casa com uma blusinha de manga curta, enquanto estávamos todos encasacados, já  prevendo as baixas temperaturas de Bogotá e seus arredores.

Zipaquirá • COL Zipaquirá • COL

Quando finalmente encontramos a entrada da catedral, percebemos um longo caminho pintado de branco no chão, rumo à degraus que pareciam não ter fim. Apenas nos imaginem nos olhando entre si com a maior cara de lamento do mundo, hahaha. Mas, mais uma vez, a trajetória deixou tudo mais leve.

Zipaquirá • COL Zipaquirá • COL

Chegando lá, resolvemos almoçar primeiro, porque a gente merecia, né? Depois de toda essa saga. Há uma espécie de praça de alimentação lá em cima com preços até razoáveis, mas eles só servem refeições completas, então se você estiver afim de conhecer a catedral, anota aí que esse não é um lugar com muita diversidade, ainda que quebre um galho.

De toda forma, nos reabastecemos para o passeio e seguimos rumo a ele.

Zipaquirá • COL Catedral de la sal, Zipaquirá • COL

O preço da entrada para estrangeiros é diferente do preço para cidadãos locais, o que eu acho até razoável para incentivar que os próprios moradores conheçam o que está pertinho deles, mas isso se torna abusivo, na minha opinião, quando o valor para estrangeiros é tão absurdamente maior.

Mesmo assim, já esperávamos desembolsar os pouco mais de 50.000 COP que nos pediram na bilheteria e mentalizamos que era véspera de natal. Só um dia chutando o balde não mataria ninguém, assim esperamos.

Catedral de la sal, Zipaquirá • COL

O tour guiado começa num túnel da mina onde já podemos ver vislumbres de sal por todas as partes. Depois ele vai ficando completamente escuro, se não fosse por algumas luzes de efeito em locais estratégicos, e esse acaba sendo o charme do passeio lá dentro.

Cada grupo que entra tem a opção de fazer o tour em inglês ou em espanhol, o que ajuda bastante quem não entenderia nadinha do idioma local, como o Jazz.

Catedral de la sal, Zipaquirá • COL

A história de como tudo começou é bem interessante e nós fomos parando em cada marco da mina, que é enorme, enquanto a guia foi explicando várias coisas relacionadas a fé católica, aos simbolismos e a construção em si.

O lugar é bem sinalizado, como deve ser, porque ele está cheio de altos e baixos, literalmente. De repente, a gente olhava para o lado e via um abismo. Mas achei tudo muito seguro e, depois do tour, a gente teve a liberdade de andar por todas as partes à vontade, voltar em cantinhos especiais para tirar fotos e aproveitar as lojinhas de artesanato local que ficam lá dentro mesmo.

Catedral de la sal, Zipaquirá • COL

Não nos demoramos depois, porque a verdade é que ficamos bem cansados e estava frio. Ficamos boa parte da tarde lá dentro e ainda inventamos de ver um filme de cerca de vinte minutos sobre a mina - o qual eu aconselho você a pular com toda certeza. Haviam duas opções, mas a sessão do principal ia demorar muito, então ficamos com a segunda mesmo, que acabou sendo totalmente dispensável.

No geral, quando paramos para analisar o passeio, cheguei a conclusão que valeu a pena conhecer a cidade e a catedral ao menos uma vez, mas a verdade é que elas não ganharam meu coração como outros lugares que eu conheci no país, então não sinto que voltaria lá num futuro próximo. O Henrique fez uma observação depois que me deixou pensando e eu acho que ele tem razão: se fôssemos mais religiosos, teríamos curtido melhor o passeio. Ainda assim, espero que tenha dado para perceber que não me arrependi de ter ido lá e que essa pequena viagem foi muito divertida.

Zipaquirá • COL Zipaquirá • COL

Terminamos a tarde voltando para o ponto onde pegaríamos o ônibus para Bogotá de trenzinho. Só descobrimos naquele instante, mas ele também fazia o trajeto inverso, até a catedral. Tarde demais para nós. Mas foi ótimo porque, mais cedo, conhecemos a cidade de uma forma mais íntima, e, depois, passamos tranquilos, olhando a cidade pela janela e descansando de todas as nossas aventuras.

Zipaquirá • COL


Gente, estou tentando organizar meu flickr, então agora os álbuns estão separadinhos por cidades. O de Zipaquirá vocês podem conferir aqui. E todo esse passeio que eu comentei no post está no vídeo que eu fiz de Bogotá e suas proximidades. :)



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Escrito por: Lisete Reis


 
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