20 de maio de 2017

Uma tarde no Parque Lineal Ciudad del Río, refrigerante postobon e cerveja com maracujá

Parque Lineal Ciudad del Río {dezembro 2016}

Os lugares que foram mais especiais para mim em Medellín foram grandes surpresas. Eles não estavam nas primeiras indicações dos sites de buscas nem eram tão óbvios assim, mas talvez a magia more exatamente aí, no desconhecido.

A primeira vez que eu fui até o Museo de Arte Moderno de Medellín, eu não fui para vê-lo, eu acho que nem ouvira falar de sua existência até o momento, então acabou sendo totalmente por acaso que eu descobri um dos meus lugares favoritos na cidade e tudo começou com uma tarde no Parque Ciudad Lineal del Río, localizado em frente ao museu.

MAMM {dezembro 2016}


No primeiro domingo após a minha chegada, participei de uma reunião com o pessoal da AIESEC na Universidade EAFIT para discutirmos sobre o projeto antes de começarmos de fato a trabalhar, logo depois fomos avisados de que haveria uma espécie de piquenique de boas vindas e todos estavam intimados a participar. Naquele ponto, eu estava começando a conhecer todo mundo, mas já haviam amizades que estavam firmes, como a da Soff e a da Júlia, uma brasileira a quem eu salvei mais cedo naquele dia, quando ela ficou presa para fora de casa. (Claramente um ótimo jeito de começar uma amizade, Ju!)

Pegamos todos um ônibus convencional da Universidade até lá e estávamos parecendo uma excursão turística - isso ou sardinhas enlatadas -, mas chegamos ao museu rapidinho. Andamos uma quadra em direção a uma área verde para visualizarmos de fato o local em que ficaríamos e foi amor à primeira vista: diversas toalhas quadriculadas em branco e vermelho, grupos de jovens, bolhas de sabão, cachorros fofinhos e brincalhões correndo ao redor e, mais ao fundo, algumas barraquinhas e food trucks.

Eu gostei de cara daquilo ali, parecia exatamente o tipo de lugar que só os moradores conheciam, porque eu não havia visto em qualquer lugar da internet, e agora nós também. E o mais legal era ter uma vista linda da cidade ao nosso alcance sem nem estar numa parte privilegiada da cidade para isso. Era só olhar para cima e as montanhas que rodeiam Medellín nos fariam o favor de proporcionar uma paisagem maravilhosa. Foi a primeira vez que eu notei que não importa muito aonde estamos na cidade, quase sempre será possível se encantar com o contraste das montanhas e dos prédios em sua extensão.

Parque Lineal Ciudad del Río {dezembro 2016}
+ Medellín: a cidade da eterna primavera

Nas nossas imensas toalhas de piquenique, comidas de todos os jeitos: biscoitos salgados com pelo menos cinco tipo de molhos, biscoitos doces, croissants e refrigerante postobon. Sempre fico curiosa com gastronomia e hábitos diferentes. Como já conhecia tudo o que estava ali e já havia me aventurado com o guacamole colombiano (eles realmente gostam de abacate), parti para o refrigerante de maçã dando sopa ali pertinho de mim. Pela primeira e última vez. Ainda vou fazer um post sobre comidas na Colômbia, mas esse refrigerante definitivamente não entra nas recomendações. E ele é tão famoso por lá que vocês nem imaginam! Por patrocinar o time mais querido de Medellín, o Atlético Nacional. 

Mais tarde naquele dia, com sede e sem outra opção, resolvi aceitar um golinho de outra novidade que vieram me apresentar: a cerveja com maracujá. Foi algo tão estranho quanto o refrigerante para mim, mas todo mundo pareceu amar tanto que, tudo bem, vamos falar sobre isso.

Eu não gosto de cerveja comum, mas talvez o gosto do maracujá tenha disfarçado um pouco o da cerveja e eu até consegui tomar o tal gole sem fazer muita careta. (Vou me dar esse crédito.) Se você ficou curioso, fique avisado que esse foi o único momento da viagem que eu vi essa bebida, o que não significa que ela não exista em outros lugares, mas por via das dúvidas...

Parque Lineal Ciudad del Río {dezembro 2016}
+ Transporte em Medellín: como se mover na cidade e não se perder

Gostaria de ter tirado mais fotos naquela tarde, algumas que coloquei nesse post, inclusive, foram tiradas em outros dias que voltei lá, mas espero que tenha dado para perceber que o Parque Lineal Ciudad del Río é um lugar para estar tanto entre amigos quanto entre a família. Ficamos até o anoitecer - quando eu me toquei que não sabia voltar para casa dali. Sorte a minha que metade das pessoas também não e fomos todos caminhando até a estação Industriales do metro, que não era tão longe.

Aquele foi um dia para fazer amigos, conhecer pessoas e provar coisas diferentes. Não tivemos muito tempo para conversar na reunião mais cedo, então foi ali que eu descobri nacionalidades, características e muita simpatia entre mexicanos, argentinos, brasileiros, uma americana, uma venezuelana e um guatemalteca. Isso só para começar, porque foram surgindo muitas outras pessoas durante a viagem. Foi algo completamente novo e esquisito para mim me sentir bem em um grupo grande, mas acho que todo mundo ali estava unido pelo mesmo propósito e a identificação já começou daí. Nós saímos de nossas casas, viajamos sozinhos e estávamos dispostos a ajudar a cidade: foi o suficiente para passarmos um tarde bem tranquila e cheia de expectativas naquele parque.

Ainda voltei lá duas vezes depois para visitar o museu e um outro lugar favorito nas redondezas, a loja la pequeña galeria, então vocês ainda verão mais desse lugar por aqui. Ele só estava estranhamente vazio nesses dias, o que me fez pensar que ele deve ser mais frequentado aos domingos mesmo. Ou a chuva, por vezes tímida, por vezes indecisa, que dominou as semanas seguintes não foi tão convidativa para as pessoas curtirem o ar livre.

Ao menos tive a chance de vê-lo uma vez em seu melhor e mais vivo estado. ♡


Escrito por: Lisete Reis


 
16 de maio de 2017

Transporte em Medellín: como se mover na cidade e não se perder

Trilhos da tranvía de Medellín e graffitti
+ Medellín: a cidade da eterna primavera

Consciente de que estaria viajando sozinha e precisaria saber me virar com ou sem os amigos que eu poderia vir a fazer, o transporte público se tornou um fator decisivo na escolha do meu destino final. Eu queria ser capaz de andar pela cidade escolhida com o mínimo de confiança e noção necessárias para chegar aonde eu queria, então, quando eu juntei os fatores que me animaram para conhecer Medellín ao fato de que ela poderia me proporcionar isso, tudo se encaixou para que eu me sentisse segura do que estava fazendo. 

A forma com que o sistema de transporte funciona foi um dos aspectos mais impressionantes da cidade para mim. Ele é prático, acessível e completamente integrado, de modo a levar uma pessoa que está no extremo oposto da cidade até o outro lado em menos de quarenta minutos. Sem falar na segurança, já que em cada estação há vários policiais espalhados pelo local. Pode parecer estranho, mas, ao mesmo tempo que eles me passavam firmeza, eles não eram ameaçadores. Todos sempre foram muito simpáticos quando eu precisei de ajuda ou até mesmo quando chamaram a minha atenção para algo que eu estava fazendo de errado, como comer aonde eu não podia ou sentar no chão para esperar. (Acontecia muito.)

Antes de eu viajar, eu não estava familiarizada com nada disso e pior: muitos dos termos que as pessoas usavam para se referir aos transportes me eram estranhos. Por isso que o post de hoje será mais técnico, com dicas e descobertas que fiz enquanto me adaptava ao ritmo da cidade.


meios de transporte público

cartão de transporte em Medellín

Para se mover em Medellín de forma tranquila, o mais importante primeiro é conhecer o sistema de transporte público. Ele é a maneira mais rápida, barata e cômoda de conhecer a cidade, composto por, pelo menos, uns cinco meios de transporte, como o metro, o metro cable, o metro plus, a tranvía e ônibus convencionais, carinhosamente (ou não) chamados de alimentadores bucetas.

Nesse sistema, a linha A do metro é a principal, porque ela acompanha o trajeto do Rio Medellín e tem ligada a ela todas as outras linhas, com os diferentes meios que eu mencionei se adequando a cada região para gerar mobilidade. O melhor é que quem precisa trocar de linha e acaba pegando um meio de transporte diferente dentre os que eu citei, não precisa pagar mais caro por isso. Há um limite de tempo, mas tudo funciona tão bem que não há a possibilidade de você demorar tanto entre uma estação e outra.

O mapa que vocês estão vendo logo mais abaixo não saia de dentro da minha bolsa e foi de grande ajuda durante o tempo que eu estive lá, porque ele não está disponível em todas as estações, então também é importante levar consigo um mapa do metro. É bem melhor já sair de casa sabendo o que fazer e não ficar quebrando a cabeça em meio a desconhecidos, mas eventualmente você pode precisar fazer novos planos ou lembrar a direção certa a tomar para voltar para casa e ele pode ser bem útil.

Para entender como funciona as mudanças de linhas e os meios de transporte que eu mencionei, distribuídos por todo o mapa, eis as minhas descobertas:

  • metro
Assim mesmo, sem acento, com a pronúncia forte na primeira sílaba e tudo. 

Acredito que muitos já estejam familiarizados com a palavra, mas, em Medellín, ele não é subterrâneo. Os trilhos se localizam a alguns níveis acima do nível da cidade, permitindo que a gente a observe durante o trajeto, o que eu adorava fazer. Ainda ficava tentando adivinhar o que eram as construções que se destacavam. ♡

O metro corresponde à linha A, que eu mencionei como a principal, e a B, que vai até San Javier, estação da Comuna 13, sobre a qual vou escrever em breve. Mas o importante aqui é saber que é por ele que você vai ter acesso à rodoviária, shoppings, parques, museus, ao centro da cidade e ao bairro mais animado durante a noite, o Poblado. Toda a cidade, basicamente, funciona em torno do metro.

Além do mais, sabem os nomes aleatórios escritos em cinza lá no mapa, como Medellín? Bello, Itaguí, Envigado, Sabaneta e La Estrella. Eles são municípios tão próximos que fazem parte do sistema de transporte metropolitano alcançados pela linha A e isso ajuda muito no deslocamento de quem vive mais afastado. Eu vivi em Bello por algumas semanas no final da viagem, mas sempre chegava tranquilamente aonde eu precisasse graças a isso e mal percebia quando saia de lá e entrava em Medellín.

  • metro cable
Vista da cidade de Medellín do alto no metro cable

Esse aqui é mais conhecido pelos brasileiros como bondinho ou teleférico

Deve ser o meio de transporte mais útil dentre todos, já que gera mobilidade entre as partes mais baixas da cidade até as mais altas. Medellín se localiza no Valle de Aburrá e há muitas montanhas ao seu redor, então eu apenas não consigo imaginar como as pessoas faziam antes de construírem isso aqui. Vocês podem perceber no mapa que ele é o que tem mais linhas (H, J, K, L e M), provavelmente, devido à geografia da cidade. 

Em relação ao turismo, suas linhas mais importantes são a K e a L, que conectam as pessoas que estão na estação Acevedo, da linha A, até o Parque Arví, um dos maiores e mais legais de Medellín (e definitivamente o mais alto) graças à sua imensa área verde para trilhas e outras atividades naturais.


Escrito por: Lisete Reis


 
11 de maio de 2017

A estação Universidade e o Parque Explora

pésinhos num fundo de cidade

A estação Universidade é a melhor estação da linha A do metrô de Medellín para um viajante que acaba de chegar na cidade.

Devo explicar como funciona o transporte no próximo post, mas já adianto logo o quanto essa estação é importante. Além de ter acesso direto através de uma passarela até o Centro Comercial Bosque Plaza, onde tem várias opções de alimentação e caixas eletrônicos, a estação se localiza praticamente em frente ao Parque Explora, ao Jardim Botânico, ao Parque de Los Deseos, ao Parque Norte e ao Planetário de Medellín. Há muito o que fazer descendo lá e para alguém que acaba de chegar na cidade e está em busca de praticidade e produtividade, não há melhor ponto de partida.

Assim, depois de um dia inteiro em busca de um chip colombiano para o meu celular, sobre o que eu vou falar depois, a estação Universidade foi a minha escolha de destino junto a uma amiga mexicana que fiz ainda no aeroporto de Medellín para começar a explorar a cidade. Chovia um pouco naquele terceiro dia em terras colombianas, mas nós estávamos decididas a sair e fazer algo interessante assim mesmo.

Almoçamos no shopping que eu mencionei anteriormente - o Centro Comercial Bosque Plaza - para depois decidirmos se iríamos para a direita, em direção ao Jardim Botânico, ou para a esquerda, em direção ao Parque Explora. O sol abriu momentaneamente e ambas opções seriam válidas, nós chegamos até a lançar uma moeda para o alto, coisa que a Soff me disse fazer sempre para tomar decisões, e ela nos indicou o Jardim Botânico, só que: no instante em que estávamos entrando lá, o destino decidiu mudar nossos planos e nos enviou algumas gotinhas de chuva de novo, suficientes para mudarmos nosso caminho. E foi assim que fomos praticamente forçadas a conhecer o Parque Explora primeiro.

Ele era a única coisa completamente coberta que tínhamos por perto, já que o Planetário estava fechado e ninguém ali tinha mais o que fazer no shopping, então lá fomos nós. Mas ao contrário do que pensamos e do que vocês devem estar imaginando também, depois de um dia de muitas risadas e diversão, não podíamos ter ficado mais felizes com a mudança de planos. O Parque Explora é um ambiente que proporciona um contato diferente com ciência, natureza, tecnologia e experiências bem legais para seus visitantes.

A entrada na época custou 23.000 COP, o que é equivalente a mais ou menos vinte e cinco reais, mas é um dinheiro bem gasto e nós tivemos acesso à três pisos que exploraram diversos tipos de conhecimento e atividades dinâmicas relacionadas a eles. 

Logo no início do caminho, passamos por um imenso mapa de Medellín e ficamos com a cidade aos nossos pés, o que eu adorei de cara. Era meu primeiro passeio de verdade em terras colombianas. Sabe aquela sensação de se maravilhar com tudo? Levei meu tempo tirando algumas fotos e lendo sobre o parque nas paredes ao redor.

Painel de fotos e textos de Medellín
+ Conheça o site do Parque Explora

Mais adiante, há uma sala de experimentos científicos e nós resolvemos entrar para dar uma olhada. Um rapaz estava explicando algo sobre a pressão no espaço e todo mundo que estava por lá foi muito simpático com a gente, especialmente após descobrir que éramos estrangeiras.

E as pessoas ficam ainda mais empolgadas quando escutam a palavra Brasil. Vocês já passaram por uma situação em que perceberam isso? Era algo muito engraçado que notei várias vezes durante a viagem. De crianças a idosos, as pessoas me perguntavam e se animavam só em ouvir falar na nossa terra. México? Argentina? Que nada, me conta aí do samba e do carnaval. Era basicamente isso. E eu adorava falar tudo o que sabia. Adorava ainda mais ter a chance de desconstruir alguns estereótipos. ♡

Nessa sala, ficamos até o fim da explicação e dos experimentos, ainda que eu estivesse queimando alguns neurônios para entender tudo que o moço falava, num espanhol acelerado.

Em seguida, já vislumbramos logo a entrada para o aquário, que, pelo o que li seria o maior de toda a América Latina. Ele tem realmente muitas espécies de peixes, cada uma mais diferente que a outra, colorida ou esquisita, e o mais legal é que elas não estão apenas jogadas por lá. Cada uma vem acompanhada de uma breve explicação escrita em inglês e espanhol, além de um monitor touch screen para você descobrir várias outras coisas sobre ela, como seu habitat natural e sua alimentação. Você passa para o próximo ambiente, lá em cima, ainda observando o tanto de espécies de peixes que eles possuem.

Essa é, sem dúvida, uma das partes mais interessantes do parque.

peixes coloridos no aquário
monitor touch screen do aquário do parque explora
peixe nemo no aquário
Achando Nemo ♡

Ainda há outras salas sobre animais, dessa vez, relativas à anfíbiosrépteis e insetos, mas vamos dizer que eles não eram tão convidativos quanto os peixes. Demos uma olhadinha rápida nos sapos, baratas e cobras e tchau!

As borboletas até que eram fofinhas, vai. Só que elas estavam... mortas.

borboletas expostas numa vitrine

Passando de um ambiente para o outro, conseguimos ver de relance a entrada do que seria mais tarde o alumbrado navideño do Parque Norte. Eu disse que era realmente perto, não disse? Naquele dia, haveria a abertura oficial do mês de dezembro e o grupo EPM (das Empresas Públicas de Medellín) ligaria as luzes da cidade.

A esse ponto, sabíamos que tínhamos que ser mais rápidas para conhecer todo o parque a tempo, mas as salas mais divertidas estavam por vir e isso acabou sendo um pouco difícil.

paisagem com as palavras Alumbrado Navideño 2016

Após passar direto por um ambiente dedicado às crianças, chegamos à uma sala com foco na mente humana. Haviam vários jogos e atividades para testarmos nossa agilidade e capacidade de manter a concentração diante de algumas dificuldades e truques esquisitos! A sala era bem escura, assim como o aquário, e eu confesso não ter tirado quase nenhuma foto por aqui. Não só por esse fator, mas porque fiquei muito entretida com os jogos.

Algumas atividades, nessa e na última sala, que tem mais a ver com o corpo humano e alguns exercícios físicos, são feitas em dupla, então foi maravilhoso ter a Soff comigo e eu recomendo visitar o local com amigos. Mas se você for um viajante solo, não se preocupe, você deve saber que nunca está realmente sozinho. Nós duas acabamos fazendo amizade com várias pessoas lá dentro, mesmo que só para realizar algumas tarefas.

Minha felicidade nessas salas foi ganhar alguns jogos, como um que envolvia um labirinto bem maluquinho, que se movia o tempo inteiro, e outro de agilidade, para segurar uma barra antes que ela caísse. São coisas desse tipo que vocês vão encontrar, que podem ser divertidas tanto para crianças quanto para adultos.

ambiente escuro iluminado com luzes coloridas

No ambiente dessa última foto, tínhamos que atravessar uma ponte que estava, aparentemente, girando. Saí tontinha tontinha e acho que já estou um pouco agora, de novo, só de olhar. A Soff nem quis encarar.

Para evitar enjoos, apenas pule essa parte e feche os olhos!

duas crianças no parque explora

Esse outro ambiente aqui estava meio inclinado e nós estávamos fazendo o maior esforço do mundo para chegar do outro lado do cômodo. Conheci essas duas crianças - aparentemente quietinhas - e nós fizemos a maior bagunça, um tentando chegar lá primeiro que o outro. Demos muitas risadas juntos e de um jeito bem estranho e legal, me senti feliz por ter conseguido me comunicar com eles razoavelmente bem, afinal, grande parte do motivo de eu ter ido a Medellín era o projeto que eu começaria na outra semana, com crianças.

Ainda posso citar uma sala em que descobrimos como seria a visão dos morcegos graças à ajuda de um aparelho. Ou ao menos tentamos. Enquanto eles sentem, mesmo no escuro total, quando tem algum obstáculo se aproximando, conseguindo evitá-lo, nós trombamos uns nos outros o tempo inteiro, mesmo com os sinais do tal aparelho. Pelo menos entendemos a lógica, né? E foi mais uma atividade divertida para fazer.

O espaço do Parque Explora é muito grande e nós passamos a tarde inteira lá. Só saímos mesmo quando eles estavam fechando, bem à tempo de correr para o Parque Norte e observar a cidade ganhar vida com as luzes de natal. Depois volto para mostrar as fotos e contar o que foi que eu achei de lá, mas, por agora, deixo vocês com minha forte recomendação ao Parque Explora. Os funcionários são muito atenciosos e nós acabamos aprendendo muito sobre ciência enquanto nos divertimos, o que transformou aquela teoria chata em algo interessante e dinâmico.

Por ele ter sido o primeiro lugar que conheci de verdade em Medellín, tenho uma lembrança especial dele, até porque foi também onde eu fortaleci minha amizade com a Soff e onde conheci outra pessoa bem importante durante o tempo que fiquei na cidade. Apesar de não ter entrado lá de novo, passei pela sua entrada várias e várias vezes a caminho de outros lugares e a estação Universidade se tornou um lugar que conheço como a palma da minha mão.

• ~


"Somos del mismo material de que se tejen los sueños, nuestra pequeña vida está rodeada de sueños", dizia uma das paredes do parque.


Até mais,

Lis 


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Escrito por: Lisete Reis


 
7 de maio de 2017

Medellín: a cidade da eterna primavera

Prédios e montanhas de Medellín

Medellín é a capital e maior cidade do departamento de Antioquia, na Colômbia, apesar de não parecer, já que você se move de forma muito rápida e fácil por lá. Ela faz parte ainda de uma sub-região metropolitana ao sul chamada Valle de Aburrá, que é cortada pelo Río Medellín e localizada sobre a Cordilheira Central dos Andes, com paisagens muito características pelas montanhas que isolam praticamente toda a área urbana – um grande charme para mim.

É a terra de Fernando Botero, grande artista que deu nome à uma das principais praças da cidade, de Maluma e Juanes, nomes conhecidos mundialmente pela música, e de uma transformação incrível, que teve estrutura para mudar o caos da violência das últimas décadas, muitas vezes remetida ao tráfico de drogas, e torná-la um lugar relativamente seguro, cheio de áreas de convivência legais.

Parque com pessoas caminhando, árvores e o palácio da cultura em Medellín

Apesar disso tudo, até a AIESEC aparecer na minha vida, eu sinceramente nunca tinha ouvido falar da cidade. A possibilidade de ir para lá surgiu numa feira de culturas chamada Global Village, onde algumas pessoas que já haviam viajado pela organização contaram suas experiências para o público. 

Só depois que eu passei em várias mesinhas – e pulei a Colômbia, para vocês verem meu nível de interesse no país – e estava indo embora com os meus pais, uma menina de aparência simpática nos parou para vender um bloquinho de anotações e aproveitou para perguntar se tínhamos interesse em escutar a história dela. Naquele momento, ela resumiu o que fez em uns dois minutos, mas aquilo ficou na minha cabeça por um tempão, registrando coisas como sua timidez, a boa estrutura da cidade, a quebra do estereótipo das drogas na Colômbia e as viagens que ela fez.

Casa vermelha de pueblito paisa em Medellín

Quando eu decidi participar do intercâmbio, eu tinha o mundo ao meu alcance. Podia ir para qualquer país, considerando os projetos que eles ofereciam, mas eu estava pendendo mais para o lado do turismo, o que não parecia ser boa coisa. Pelo menos não quando você só está pensando nisso. Acho que conversar com aquela menina me deixou com a mente muito mais receptiva ao desconhecido e eu comecei a pesquisar sobre a Colômbia, algo que eu não tinha sequer considerado. 

Eu senti, a partir daí, que era para lá que eu deveria ir e tendo firmado isso na minha mente, eu não tive dúvidas quanto à cidade: tinha que ser Medellín. Não só pelo o que eu escutei brevemente, mas tudo que eu buscava apontava para lá. O natal e a feira de flores foram com certeza os eventos que mais me animaram. Esta última dá o título a Medellín de cidade da eterna primavera e eu não conseguiria conhecer, porque ela acontece no meio do ano e eu já estava decidida a passar as festas de fim de ano fora de casa, mas me parecia apenas certo ir para uma cidade que celebra tão apaixonadamente essas festas que eu passaria longe pela primeira vez. 

Cheguei lá acreditando que sabia tudo sobre a forma com que eles as comemoravam só por causa de umas pesquisas, mas nada me prepararia para o que eu vi. Há luzes por todas as partes, inclusive margeando um lago enorme ao norte da cidade, pessoas que comemoram a chegada de dezembro, colecionam presépios e decorações de natal. Nem sempre das mais bonitas, mas sempre adquiridas e expostas com muito entusiasmo. Também há religiosidade e respeito, independente do que você crê ou não.   

Prédios e montanhas de Medellín

Medelín é toda montanhas e tijolos, algo que me pareceu estranho a princípio, mas todo aquele verde e marrom juntos se tornaram parte da minha ideia de lar, onde meu coração resolver pertencer por aquele curto período de tempo. 

Uma das coisas que eu mais amava era olhar Medellín, seja à noite ou pelo dia, e ver o movimento da cidade ou apenas suas luzes, das partes baixas até as mais altas, dando a impressão que elas desapareceriam no céu. E quando o sol resolvia aparecer entre o cinza que enfrentei a maior parte do tempo, os prédios mais caros se confundiam com as casas da favela, nem que fosse pela cor.

Medellín era só montanhas e tijolos. E era linda bem assim.

Graffiti em Medellín na estação san antonio

Não posso dizer que não existe uma segregação, algumas pessoas com quem conversei deixaram claro que muitos não viam sequer a necessidade de atravessar o Rio Medellín - que divide a cidade - se tudo que é necessário para eles está ali no seu bairro, ao seu alcance quando precisam. Mas tive a chance de andar por toda parte, falar com toda gente, e ao menos a cultura local não me pareceu tão dividida quanto eles mesmos julgam ser. 

Todas as pessoas que eu conheci em Medellín – eu juro que não consigo pensar em ninguém que me tratou diferente – foram extremamente amáveis comigo, acolhedoras e dispostas a ajudar, mesmo que não soubessem como no momento. Eu nunca senti tanta hospitalidade e eu não acho que esteja exagerando, porque isso não é algo que eu diria de outras cidades da Colômbia, por exemplo, mas eu me senti em casa. Os paisas, como são chamados aqueles que nascem em Antioquia, tem uma energia diferente.

Uma coisa que também me ajudou a construir essa ideia foi a rápida adaptação que eu consegui alcançar. A cidade é tão bem estruturada e o sistema de transporte é tão acessível e prático que, depois de um estranhamento inicial nos dois primeiros dias, eu já estava andando sozinha com confiança. E há tantos lugares para conhecer e visitar! É verdade que alguns dos meus preferidos, infelizmente ou não, não foram nada turísticos e nem eu nem você poderíamos voltar lá e sentir as mesmas coisas. Digo isso por causa das pessoas que me acompanharam ou por se tratar de casas de colombianos que eu conheci, mas estes guardarei na memória para toda a vida e não se enganem, ainda consigo pensar em pelo menos uns dez parques para apresentar para vocês, além de museus, cafés, restaurantes e vários outros pontos de encontro interessantes. Lá, você só não sai de casa se não quiser mesmo.

Postes de luzes altos em Medellín

Do meu ponto de vista outsider, tudo funciona muito bem. Me lembro de dizer isso e ver alguns locais estranharem, porque já estavam tão acostumados com aquilo, que não percebiam o quão privilegiados eram, mas depois eles acabavam concordando comigo. 

Eles têm lazer, transporte público de qualidade, segurança, água limpa para beber saindo de suas torneiras, escadas elétricas no meio do que já foi sua favela mais perigosa, muita arte e mais investimentos por vir. Eu sentia tudo fluir o tempo inteiro, tinha diversas opções ao meu alcance e um custo de vida bem mais barato que no Brasil, além de afeto em todos os lugares em que eu resolvia me acomodar.

Areia no meio do centro da cidade de Medellín

Em meio a tantas surpresas boas, acho que a mais legal me chamou atenção de um jeito bizarro e engraçado por um tempo e tudo começou lá pela terceira semana enquanto eu caminhava com a minha família colombiana por um parque recém-inaugurado. Atinei para uma florzinha murcha meio esquecida no canto de um jardim e perguntei se aquela era mesmo a cidade da eterna primavera, lembrando do que tanto havia lido antes da viagem. Demos risadas e o tempo passou, eles não souberam se justificar. Apenas bem próximo à minha despedida, finalmente entendi o motivo de Medellín representar essa estação do ano mundo afora. É um segredo o qual talvez eles mesmos desconheçam: os paisas tem a beleza da primavera na sua alma e na sua cultura, o que é muito mais que só algumas paisagens coloridas com flores.

 ~ • ~ 

Tudo começou aqui, longe do mar ♪♡ 

Lis 


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Escrito por: Lisete Reis


 
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