14 de fevereiro de 2018

Recife: a capital do frevo

Recife • 2018

Sabem aquela cidade que você vai tantas vezes que acaba não a enxergando como um destino de viagem? Mesmo que ela tenha um cantinho especial no seu coração? Esse sempre foi o meu caso com Recife

Localizada há apenas três horas de Maceió, é certo que vou para a capital de Pernambuco ao menos uma vez por ano para visitar meu primo que mora lá. Algo que tinha tudo para ser incrível, mas que eu nunca soube aproveitar muito bem, porque minha família criou uma rotina ao longo do tempo de ficar apenas na casa dele e de ir nos mesmos lugares. 

Recife • 2018

Há algumas semanas atrás, precisamos ir até lá, só que fomos com um espírito diferente e é por isso que resolvi escrever esse post e publicá-lo em pleno fim de carnaval, um período tão simbólico para a cidade.

Meu irmão nos acompanhou, alguém com quem sempre posso contar para algumas aventuras, e juntos nós convencemos o pessoal a explorar um pouquinho melhor as redondezas, a começar pela área do Recife Antigo, uma zona histórica cheia de cores e energias positivas, motivo de eu gostar tanto dessa terrinha.

Sempre que visito essa parte de Recife, tenho recordações de grupos de música ou de dança se apresentando no Marco Zero, sem falar nos vários cantinhos de cultura acessíveis. Imaginem, então, na época de carnaval, quando tudo isso se intensifica, tornando a identidade deles ainda mais visível e especial.

Recife • 2018

Eu nunca fui de gostar de carnaval até passar um deles em Recife/Olinda. Ainda hoje prefiro descansar e ficar em casa, mas lá foi que eu percebi que há certa magia nessa festividade, para além do que todos veem quando pensam no carnaval. É como se a verdadeira essência do frevo e de tantos outros ritmos típicos dessa época do ano só fossem celebrados devidamente ali.

Isso é algo que eles levam a sério durante todos os outros meses, não é toa que o Recife Antigo está cheio de cantinhos que celebram essa cultura tão forte e tão bonita. As pessoas realmente valorizam esses espaços e o orgulho que eles sentem transcende para qualquer turista que esteja visitando a região. 

Paço do frevo, Recife • 2018

O Paço do Frevo é um deles. Com uma estrutura belíssima, por dentro e por fora, esse foi o lugar  que conquistou meu coração nessa última viagem, porque foi uma novidade muito bem vinda à nossa programação de sempre. 

Descobrimos que às terças sua entrada é gratuita, então voltamos para o Recife Antigo nesse dia - mesmo tendo passado o domingo inteiro vagando por lá - com o objetivo de economizar. Estávamos bem cansados e viajaríamos algumas horas depois, mas saímos todos muito felizes e satisfeitos por termos dedicado nosso tempo a visitar esse lugarzinho mágico.

Paço do frevo, Recife • 2018

Para começar, damos de cara com o café mais fofo do mundo na entrada no museu: o Café Malakoff. O vermelho das paredes e o verde das janelas me lembraram de alguma forma o folder do filme O fabuloso destino de Amélie Poulain e eu fiquei levemente encantada desde o princípio. As luzinhas penduradas pelo local e alguns nomes de personalidades importantes para a história do frevo dão um charme a mais para o ambiente. 

Minha família já foi logo passando as catracas para o que seria o início das exposições, enquanto eu ainda encarava os detalhes desse café maravilhoso.

Paço do frevo, Recife • 2018

Quando me rendi, percebi que as exposições do térreo contavam com informações para se ler durante toda uma vida, sobre a história do frevo e das pessoas que contribuíram para ele ser o que é hoje, com passagens marcantes e acontecimentos históricos divididos por anos, dispostos para você folhear o que achar mais interessante. 

Recife • 2018

O funcionário responsável nos deu a dica de buscar anos especiais para nós, atrás de algumas curiosidades, já que era humanamente impossível ler tudo em um dia, e foi o que nós fizemos. O mais legal era dar uma olhada num livro maior, bem no centro da sala, porque ele tocava uma marchinha diferente a cada página virada.

Recife • 2018

As paredes de cada salinha também ajudam a criar um efeito super legal, porque elas são uma exposição à parte e tudo que está exposto no Paço do Frevo conta com uma versão em inglês, o que o torna um lugar acessível para estrangeiros.

Recife • 2018

Mas meu ambiente preferido mesmo está no último andar. Ele expõe as melhores marchinhas de carnaval desenhadas em janelas de vidro que dão para vistas lindas e diferenciadas da cidade, além de outras informações sobre bloquinhos e sobre o frevo em si por todas as partes, desde o chão, até as paredes e o teto. 

A gente fica até meio perdido no meio de tanta lindeza para olhar.

Paço do frevo, Recife • 2018 Paço do frevo, Recife • 2018

Quem não é da região pode ser bastante distraído ainda pelas diversas palavras e expressões próprias que estão dispostas em plaquinhas, junto de seus respectivos significados.

Recife • 2018

Por isso que o Paço do Frevo facilmente tornou-se um favorito.

Nós ainda chegamos a entrar na Embaixada de Pernambuco, onde ficam mais de sessenta bonecos gigantes de personalidades famosas no Brasil e no mundo - os famosos bonecos de Olinda. Mas a entrada para os dois museus espalhados no Recife Antigo nos custaria R$25,00 por pessoa, um preço o qual, infelizmente, não estávamos dispostos a pagar.

Recife • 2018

Ainda assim, fiquei com um gostinho bem mais doce ao visitar Recife dessa vez. Me apaixonei pela sua cultura uma vez mais e fiquei ansiosa para voltar e conhecer mais lugares incríveis, como o Cais do Sertão, um museu que exalta a cultura nordestina como um todo e seus ritmos, como o forró pé de serra, o xaxado, o baião, etc. 

Ele também fica localizado no Recife Antigo e dispõe de entrada gratuita às terças. Conseguimos chegar lá facilmente depois do Paço do Frevo, mas, acreditem ou não, faltou energia bem no meio da nossa visita. 

Recife • 2018

Estávamos numa sessão de cinema emocionante lá dentro quando houve a queda de energia. Ainda demoramos alguns segundos para perceber, porque pensamos que a escuridão fazia parte de algum efeito do filme. Mas não, era só nosso azar mesmo.

Aguardamos mais de quarenta minutos na esperança de o problema se resolver logo, mas nada feito, então vou guardar esse cantinho especial para uma outra visita, quando espero poder falar melhor sobre ele por aqui.

Estranhamente, me alegra pensar que tenho algo igualmente incrível para ansiar da próxima vez. Faz algum sentido para vocês?

Recife • 2018

Só nos restou caminhar pelas ruas dessa área histórica e colorida, onde já haviam indícios de que o carnaval estava próximo, como o famoso galo da madrugada exposto em uma das ruas principais.

Nas proximidades, o Paço Alfândega quebra um galho com várias opções de comida, sem falar na bela distração que é a Livraria Cultura ao seu lado.

Recife • 2018

O Artesanato de Pernambuco também é uma parada obrigatória, porque está cheio de coisas lindas e é um dos mais organizados que já vi entre as capitais que conheci no nordeste. Não pude deixar de comprar um imã da cidade.

Para quem não sabe, desde que voltei da Colômbia, comecei a fazer coleção de imãs das cidades que eu já visitei. Já fui para Recife desde então, mas essa foi a primeira vez que senti que estava conhecendo a cidade realmente, então precisei eternizar isso de alguma forma.

Recife • 2018

Ainda fizemos uma parada na Caixa Cultural, onde havia uma exposição inspiradora sobre um homem que sobrevoou vários lugares incríveis e outros marcados pela destruição natural, conhecendo a história das pessoas e dos lugares onde vivem. Aquele era o último dia em que ela estaria ali e me senti sortuda por um momento.


"Voar sempre foi a forma mais expressiva da palavra liberdade. É voando pelo horizonte, com o toque suave do vento no rosto, levitando pelo ar, que me sinto livre e em paz comigo e com a vida." Lu Marini


Foi saindo de lá que meu pai resolveu comprar um quebra-queixo de formato estranho e mega doce, que nem eu reconheci o que era de primeira. Vocês já comeram? Tem isso aí na cidade de vocês? Algumas pessoas já me responderam lá nas stories do insta do blog. Eu fico boba com algumas diferenças culturais, amo percebê-las e compartilhar novidades.

No domingo, encerramos o dia com bebidinhas marotas nomeadas em homenagens a bandas e cantores de rock. Até às 20h, exceto aos sábados, parece que elas saem pela metade do preço. Imaginem se não nos aproveitamos disso. A decoração e o Eric Clapton do meu irmaõ e a playlist de lá me fizeram adorar o Rock n' Ribs. Ele fica pertinho do Marco Zero, numa galeria com alguns bares e restaurantes.

Recife • 2018

Há quase um ano atrás, escrevi um post não tão animado sobre uma visita a Recife, que nunca chegou a ser publicado por não ser o tipo de conteúdo que eu gosto de compartilhar por aqui - frustrado e angustiado por não conseguir explorar a cidade como eu gostaria. 

Eu prometi a mim mesma desde então que só voltaria para lá pelos motivos certos, para fazer algo legal, e eu consegui ser fiel a essa promessa de alguma forma, então eu estou bem feliz de estar escrevendo esse post agora e de estar o publicando nessa quarta-feira de cinzas. 

Não passei o carnaval lá dessa vez, essas informações se referem a uma visita que fiz há cerca de duas semanas, mas lá é tempo de festa o ano inteiro e eu espero tê-los inspirado um pouquinho a conhecer a cidade e os preparado para esse momento. Afinal, Recife é a capital do frevo e...

"o frevo não convida, arrasta".



Até a próxima,

Lis




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Escrito por: Lisete Reis


 
22 de janeiro de 2018

Feira de pulgas de Usaquén, Parque Simón Bolívar e peripécias pela zona T

Parque de la 93, Bogotá • COL
 vinte e cinco de dezembro de dois mil e dezesseis

Imaginem duas pessoas perdidas, sonolentas e de corpo dolorido, éramos eu e a Lê na manhã de natal daquele ano. A gente se olhava com expressões tão desoladas, ainda no quarto do hostel, que dava até vontade de rir de repente. Acordamos um pouco mais tarde, para descansar melhor, mas descemos a tempo de tomar café da manhã e decidir o que fazer.

A noite fora longa e nossa viagem estava sendo muito intensa até ali, mas nós queríamos tornar nosso dia produtivo e conhecer melhor a cidade, então resolvemos caminhar pelo bairro em que estávamos, uma opção mais light para esse dia meio estranho, em que não sabíamos o que estaria aberto ou não.

Parque de la 93, Bogotá • COL

Nossos amigos do hostel resolveram conhecer a candelaria, que foi nosso primeiro programinha na cidade, então acabamos nos separando deles por alguns momentos. Éramos só eu, a Lê, algumas folhinhas voando pelo ar e um ou outro carro passando na rua. A cidade parecia adormecida.

Mas isso não foi um problema, ainda mais porque nos deparamos com várias ruas fofas e conhecemos a badalada zona T - famosa pelos bares, restaurantes e lojas chiquetosas - na maior tranquilidade, quando a maioria dos locais estavam fechados. Ela ganha esse nome pelo formato que a área tem, fechadas para carros em todas as três extremidades.

Parque de la 93, Bogotá • COL

Continuamos caminhando por um tempo e chegamos até o parque de la 93, um lugar super bonitinho que eu vi em algum cantinho dessa internet e que conseguimos conhecer graças às indicações do pessoal do hostel - mais uma vez.

Ainda que simples, achei esse um lugar encantador em Bogotá para perceber um pouco do cotidiano dos moradores, passeando com seus cachorrinhos, comendo algo pelo gramado, lendo ou se reunindo para conversar nos arredores.

Eu e a Lê dividimos um saco de batatinhas - nossa principal refeição enquanto viajamos, sim senhores - e relaxamos lá por um tempo, curtindo o ambiente. Uma das coisas que eu mais amava na nossa amizade repentina era a facilidade que tínhamos em nos adaptar aos locais e aproveitar cada momentinho, como se eles fossem incríveis à sua maneira. 

Parque de la 93, Bogotá • COL

Um detalhe que, pra mim, fez toda diferença, foram as mesinhas coloridas espalhadas ao redor de uma banca de livros, onde, aparentemente, você pode escolher algum para ler ou algo do tipo. Ela estava fechada, o que é totalmente compreensível para uma manhã de natal, mas achei aquilo muito adorável e fiquei imaginando como seria legal morar ali por perto.

Eu amo que tanto em Medellín quanto em Bogotá eu tenha encontrado cantinhos de incentivo à leitura. Eles só as fizeram subir no meu conceito.

Parque de la 93, Bogotá • COL

Continuamos nosso passeio até um ponto de ônibus mais afastado, onde a Natália - recepcionista do nosso hostel - nos disse que poderíamos pegar um até o mercado de pulgas de usaquén, um lugar em que vendem todo tipo de coisas antigas e interessantes, sempre aos domingos, mesmo em época de festas.

Como aquele era um domingo, a coincidência nos pareceu até um sinal para conhecermos mais um lugar legal na cidade antes de irmos. O que não pareceu um sinal foi percebermos que nosso cartão do transporte público da cidade estava zerado e que não havia um posto de atendimento próximo para colocarmos créditos.

Ainda tentamos entrar na linha de ônibus que nos levaria até usaquén, mas o motorista - muito gentilmente, se é que isso é mesmo possível diante das condições - não nos deixou passar, nem mesmo pagando em dinheiro.


Escrito por: Lisete Reis


 
20 de janeiro de 2018

Três vezes São Paulo

Há mais ou menos sete meses, passei algumas madrugadas pesquisando passagens e hospedagem para alguns dias em São Paulo com a Lis. Era junho, nós estávamos de férias da faculdade, e tudo encaixou para que a gente pudesse fazer a nossa segunda viagem juntas.

decolagem no aeroporto dep. luís eduardo magalhães, em salvador, depois de uma conexão inesperada

Organizamos tudo, e a dinâmica ficara a seguinte: a Lis chegaria em São Paulo na quinta de manhã, eu e Jess na sexta de manhã, logo encontraríamos com o meu cunhado, noivo da Jess - que atualmente está estudando lá - e depois, no sábado, com o irmão da Lis, que iria fazer uma prova de concurso. Em seguida, no domingo, iríamos todos seguir viagem para Campos do Jordão. Porém as coisas não saíram exatamente como o planejado.

Pelo menos não a parte em que eu e minha irmã chegaríamos na sexta de manhã. Por um motivo muito corriqueiro para algumas pessoas, mas não para nós, que sempre fomos extremamente organizadas com esse tipo de coisa. Nós perdemos o voo. Foi extremamente frustrante e fiquei perplexa por ter conseguido ser tão descuidada daquela forma, e o sentimento só aumentou quando o atendente da Avianca, companhia aérea pela qual viajamos, foi um completo idiota e nada gentil ao lidar conosco. Uma situação que já era ruim conseguiu ficar pior.

Depois de muito conversar com outra funcionária — que foi mais amigável, pelo menos — descobrimos que a nossa única opção seria um voo que sairia às 12h14, com uma conexão em Salvador. Nosso voo original era direto, às 6h30. E nós o perdemos por causa de menos de cinco minutos. Esse foi o dia em que eu compreendi, de forma literal, a expressão que afirma que tempo é dinheiro. E também foi o dia em que decidi que, se tiver opção, nem tão cedo voarei pela Avianca outra vez. 

o alívio de finalmente ver a pista do aeroporto internacional de guarulhos

guarulhos, sp
23 jun, por volta das 17h

Chegamos em São Paulo apenas 7h depois do planejado, quando a luz do dia já estava indo embora. Depois de uma pausa para descansar um pouco do dia extremamente estressante e para carregar nossos celulares, partimos na missão de encontrar o local de onde saem os ônibus para o metrô tatuapé — que fica em frente ao shopping de mesmo nome, nosso ponto de encontro com o Kleiner.

Com a ajuda da Lis e de um funcionário do aeroporto, logo encontramos o ônibus e o longo percurso que ele faz nos permitiu descansar ainda mais para o rojão que viria a seguir: metrô paulistano na hora do rush. A ajuda do Kleiner com nossas malas foi muito bem vinda, porque eu juro que não sei como encontrava forças para andar tanto e tão depressa, em meio às várias baldeações que precisamos fazer para enfim chegarmos ao nosso destino: a vila madalena.


kéra smart hostel
vila madalena, sp
23 jun, por volta das 20h

Encontrar o hostel foi a parte mais fácil do dia. Logo descobrimos que ele era simples, mas ainda assim aconchegante. Foi a minha primeira experiência com esse tipo de acomodação e achei tudo muito tranquilo — e, nesse caso, a localização praticamente ao lado do metrô só contou pontos positivos.

Entramos e logo uma moça veio nos receber. Enquanto eu fornecia os meus dados de forma um tanto eufórica, ouvi passos descendo os degraus da escada localizada bem ao lado da recepção. Não demorou muito para eu reconhecer o aconchego na forma de moça bonita — depois de um dia tão exaustivo psicologicamente, ver o rostinho da minha melhor amiga fez todo o estresse virar fumacinha. Não é que aquele papo é verídico? Aquele papo de que lar às vezes é uma pessoa e não um lugar. Bem, eu posso comprovar.

O fato é que: eu não estava cansada psicologicamente apenas por todo o inconveniente de ter perdido o voo. Essa viagem aconteceu em um momento não muito bom da minha vida, em que eu estava extremamente vulnerável a todo tipo de sentimento ruim. Esses dias fora foram uma tentativa de espairecer, e mesmo isso eu tinha conseguido transformar em algo estressante. A frustração tomava conta de mim sempre que eu me permitia parar para pensar. Por essas e outras que eu posso afirmar o quanto a presença da Lis me confortou naquele momento.

Kéra Smart Hostel | Vila Madalena, São Paulo

Eu e Jess a seguimos para o nosso quarto, no momento compartilhado com outras duas meninas: uma de Porto Alegre e a outra de Manaus. Guardamos nossas coisas e partimos para a missão seguinte, que era encontrar algo para comer.

Kéra Smart Hostel | Vila Madalena, São Paulo
coisas boas acontecem aqui

A Avianca até melhorou no meu conceito depois de servir sanduíches muito bons durante os voos — sou facilmente comprável com comida, sim. Mas mesmo eles não conseguiram segurar a minha fome por tanto tempo, então fomos andando até uma hamburgueria ali perto, que a Lis encontrou pelo ifood: a primata.


primata wings & burguers
vila madalena, sp
23 jun, por volta das 21h

Estava frio lá fora. Pelo menos para três meninas acostumadas às temperaturas do inverno bem mais ou menos do nordeste (à essa altura, já tínhamos nos despedido do meu cunhado). Mas mesmo isso não nos desanimou para ir em busca do nosso merecido lanche, então logo encontramos a Primata e escolhemos o que íamos pedir — pra viagem, porque os lugares no interior do local estavam todos ocupados e não tinha a menor chance de ficarmos ali passando frio pela próxima hora. 




Demorou um pouco, mas valeu a pena: nossos pedidos vieram todos muito bem embalados e organizados, recebemos um atendimento super simpático dos rapazes que trabalhavam no local e ainda rolou um desconto inesperado na conta. E a comida, como constatamos depois, estava maravilhosa. Finalmente um pouco de sorte nesse dia estabanado. 

De volta ao hostel, tomei um banho bem quente e me preparei para dormir, ouvindo os sons da maior capital do país ultrapassarem a janela fechada e invadirem o quarto. E através deles finalmente me dei conta de que estava lá mais uma vez, que tudo tinha dado certo afinal. Não o clima frio, não o caos do metrô ou as pessoas apressadas falando ao telefone em seus sotaques carregados de erres. Mas os sons que persistem mesmo no mais silencioso dos locais e sinalizam que aquela cidade nunca dorme. Eles sim. 

Mentalizei uma, duas, três vezes. Três vezes São Paulo. Era a minha terceira vez em solos paulistanos, e eu iria fazê-los valer a pena. 




Com amor, 
Jen




Escrito por: Jennifer Macieira


 
18 de janeiro de 2018

Meu natal em Bogotá e a Republica Hostel

República Hostel Bogotá, Bogotá • COL

Oi, gente! Estou muito em falta com os posts da Colômbia, eu sei. Já faz mais de um ano que voltei de lá e eu ainda tenho muito conteúdo para mostrar, mas vou continuar persistindo, porque quero registrar de alguma forma momentos bem legais que eu vivi e dicas que podem ser de grande ajuda para quem vai visitar o país. Espero que ninguém aí esteja cansado de mim!

Hoje eu quero falar um pouquinho sobre meu primeiro natal fora de casa, no ano de dois mil e dezesseis, e sobre o hostel maravilhoso que eu e a Lê tivemos a sorte de encontrar para a nossa passagem por Bogotá, duas coisas que estão muito ligadas para mim.

Primeiro, saibam que o hostel é muito bonito visualmente, bem localizado, os funcionários foram prestativos com a gente e a cereja do bolo é que ele bem baratinho mesmo. A gente gastou cerca de quarenta reais por noite, cada uma. Na moeda local, 35.000 COP.

Para vocês terem uma noção, esse foi o menor valor que gastamos em hospedagem durante toda a viagem - chegamos a gastar até 100.000 COP num hostel em Cartagena - e foi o lugar que eu mais gostei, ainda que cada local que a gente tenha ficado tenha algo a seu favor.

República Hostel Bogotá, Bogotá • COL

Além do visual minimalista que me deixou apaixonada e que vocês podem conferir em algumas fotos que vou espalhar pelo post (gostaria de ter tirado mais!), os funcionários da Republica Hostel Bogotá provavelmente foram os principais responsáveis por eu ter ficado com uma impressão tão boa de lá.

Acho que nunca falei tanto o nome de uma pessoa num curto período de tempo como eu falei o do Álvaro, recepcionista durante boa parte das vezes que eu e a Lê passamos pela entrada do hostel. Ele foi a razão de termos conseguido chegar em absolutamente todos os lugares que queríamos durante nossa estadia gastando pouco, desenhando mapas com trocas de linhas de ônibus, pontos de referências, baldeações, entre outras coisas que precisássemos. A Natália também nos ajudava muito. Ela costumava ficar no turno da noite, quando geralmente estávamos pensando no que faríamos no dia seguinte.

Tudo bem que eles podem nem trabalhar mais lá agora, mas se o hostel manteve o padrão, eles estão muito bem de pessoal. ♡

República Hostel Bogotá, Bogotá • COL

A área do café da manhã é super aconchegante - a da primeira foto do post! - e nós ficamos ali por várias noites depois que voltávamos dos nossos passeios, só para descansar e conversar com o pessoal.

Apesar do hostel contar com um bar, ele não teve nenhum movimento durante o tempo em que ficamos e a impressão que eu tive foi que eu não poderia ter encontrado lugar mais tranquilo! Tudo que eu poderia querer depois de vários dias batendo perna por aí.

O café da manhã em si é super organizado e gostoso. Você pode escolher entre duas opções que eles disponibilizam no menu do dia e assinar o seu nome ao lado com a opção correspondente, que eles vão te servir logo logo. Diante do frio da cidade, foi lá que eu comecei a tomar bastante café. A primeira opção sempre tem alguma fruta, ovos, bolinhos, pães e geleias. Já a segunda é mais light, com algum tipo de yogurt, mas já dá para ficar satisfeito. Eles foram gentis o suficiente para servir a mim e a Lê em plena cinco da manhã no nosso último dia de hospedagem, porque tínhamos que pegar um avião para Santa Marta logo cedo.

República Hostel Bogotá, Bogotá • COL

O meu quarto e o da Lê era para ser compartilhado entre seis pessoas, como é comum nesse tipo de hospedaria, mas quando chegamos só tinha uma pessoa junto da gente, o que facilitou bastante a dormida, ainda mais porque ele virou nosso amigo e sempre saíamos juntos. Apenas nos últimos dias dividimos o quarto - e o banheiro, tristemente - com outras pessoas, mas já estávamos praticamente de saída. Além disso, chegaram dois brasileiros, então não tinha como nos sentirmos deslocadas.

As acomodações são quentinhas, o que faz muita diferença por causa do clima frio da cidade. O único ponto negativo foi que só desvendamos o mistério do chuveiro elétrico no último dia da nossa passagem por lá! A água era tão quente que chegava a queimar a pele e ficava toda espalhada. Então, quando o Jazz - nosso amigo do qual falei - praticamente arrancou algo de lá e fez ele funcionar direito, lamentamos que já estávamos indo, porque era a única coisa que faltava para ficar perfeito.

Outra coisa legal é que ele fica numa área muito privilegiada da cidade, próxima da Zona T, onde existem diversos restaurantes, bares, lojas e parques conhecidos. Saímos andando várias vezes por lá e achamos tudo muito prático.

Se você planeja visitar Bogotá, anota aí que esse é lugar muito aconchegante e recomendado por mim! ♡ Juro que ninguém está me pagando nada para fazer publi. Queria eu, viu?

meu natal de dois mil e dezesseis ✨

Íamos passar a noite de natal lá mesmo, porque não fazíamos ideia do que estaria aberto na cidade, mas o Álvaro nos disse que não ia ter nada especial, nem mesmo um jantar, então nos recomendou ir até um outro hostel nas proximidades do nosso, onde um brasileiro estava prestes a fazer um churrasco.

O grupo que vocês conheceram - ao menos pelos nomes - no post sobre Zipaquirá nos acompanhou e fizemos a festa lá mesmo. Gostei do lugar de cara por causa desse letreiro maravilhoso na entrada. Acabou que tinha pouca gente lá e nós nos aproximamos de todo mundo para conversar, jogar - ou tentar jogar - billiard e dançar um pouquinho.

Ao contrário do hostel em que nós ficamos, esse aqui não parecia ser nada calmo, o que pode ser legal para dar uma passadinha como nós demos, mas para dormir não deve ser tão bom, né? Imagina tentar ao som de alguns funks brasileiros, que trataram de colocar. Mesmo assim, eles foram muito legais e a noite foi muito animada. Agarrei amor numa senhora que estava hospedada lá com seu marido. Naquela noite, ela foi uma de nós, não importa quantos anos tivesse.

meu natal de dois mil e dezesseis ✨

Esse foi meu primeiro natal fora de casa e acabei não vivenciando o típico natal da família colombiana, mesmo que eu tenha tido algumas prévias em Medellín, mas a verdade é que não me senti triste, nostálgica, nem nada do tipo. Estava feliz e descobri, pela primeira vez na prática, que lar é onde nosso coração está. Tive a sorte de encontrar pessoas que me proporcionaram uma sensação boa de compreensão e companheirismo e eu não poderia desejar nada melhor do que isso.

Algumas pessoas desse hostel terminaram a noite em baladas ou em algo parecido, mas nosso grupinho da republica voltou para lá madrugada adentro e jogou conversa fora pelo resto da noite, comendo uns snacks que encontramos na recepção. Eu entendi ali que a gente não precisa de muito para ser feliz. Nem de tradições, as quais eu era tão apegada.




Republica Hostel Bogota
Cra. 12 #68-28, Bogotá, Colômbia

* Para reservar e conhecer melhor o hostel é só clicar no link acima. Você não paga nenhum valor a mais por isso e ajuda o blog a continuar produzindo conteúdo, através de uma pequena comissão. (Mas só estou recomendando porque gostei de verdade, tá bom? )


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Escrito por: Lisete Reis


 
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